O problema do futebol brasileiro não são os estrangeiros
Medida aprovada pelos clubes ignora a falta de projeto nacional e não resolve a venda precoce de atletas para a Europa

A proposta aprovada pelos clubes que prevê iniciar, a partir de 2027, a redução do limite de jogadores estrangeiros no futebol brasileiro, chegando a cinco atletas por equipe em 2030, não resolve o grande problema do futebol brasileiro. Atualmente, são permitidos nove estrangeiros relacionados por clube. Bahia, Flamengo e Londrina votaram contra a mudança.
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O motivo apresentado pela CBF para propor a redução é a preocupação com o desenvolvimento dos jovens jogadores formados nas categorias de base. Em estudo realizado pela entidade, constatou-se que os minutos concedidos a atletas sub-23 caíram 40% desde o aumento do limite de estrangeiros.
Em 2013, eram permitidos três estrangeiros relacionados por equipe. O número subiu para cinco em 2014 e permaneceu nesse patamar até 2022. Em 2023, passou para sete e, em 2024, chegou a nove — limite mantido atualmente.
Hoje, são 159 atletas estrangeiros em atividade no futebol brasileiro, de 26 países. Na Série A, a média é de oito jogadores estrangeiros por clube. Eles representam 25% do total de atletas em atividade na competição.
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A medida é um paliativo para tentar preencher a ausência de um projeto nacional consistente para as categorias de base, algo que a CBF não tem. A atuação da entidade, nesse campo, limita-se basicamente à promoção de torneios nacionais e à convocação de atletas para as seleções de base. Falta um trabalho amplo e descentralizado, que considere as diferentes regiões do país e seja construído em parceria efetiva com os clubes.
A proposta aprovada é simplista e não ataca o problema central com o qual o futebol brasileiro convive. O verdadeiro gargalo está na saída precoce de jovens talentos para o exterior.
Se a preocupação realmente fosse o desenvolvimento desses jogadores, o debate deveria estar concentrado na criação de mecanismos financeiros capazes de mantê-los no país, pelo menos até os 20 anos. O amadurecimento técnico desses atletas em equipes brasileiras fortaleceria os campeonatos nacionais e poderia contribuir para a formação de jogadores mais preparados.
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Mas isso exigiria engenharia financeira, planejamento e uma política de desenvolvimento de longo prazo — caminhos naturalmente mais complexos do que simplesmente reduzir o número de estrangeiros em campo.
