Juh em cena
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Dark romance: por que as red flags ficaram tão atraentes?

Mafiosos, stalkers e mascarados: por que o perigo parece tão atraente quando é ficção?

4 min

10/09/2026 12:37 • Atualizado há 13 dias

Dark romance: por que as red flags ficaram tão atraentes?

Amiga vem cá, eu preciso conversar com você sobre uma coisa. Em algum momento dos últimos anos, aparentemente, ser bonito deixou de ser suficiente.

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Agora o homem precisa ser bonito, misterioso, emocionalmente indisponível, moralmente questionável e, se possível, usar uma máscara que faria qualquer pessoa sensata atravessar a rua. Se ele tiver cara de quem responde “você não vai sair vestida assim”, melhor ainda. Calma. Eu não estou descrevendo meu último relacionamento. Estou falando de Dark Romance.

Se você passou os últimos anos ocupada demais tendo uma vida saudável, eu explico: dark romance é aquele canto da literatura em que o príncipe encantado aparentemente pediu demissão. No lugar dele entraram mafiosos, stalkers, assassinos, homens obsessivos, bilionários perigosos e sujeitos que, em qualquer outro contexto, fariam sua amiga mandar sua localização em tempo real no grupo. E as mulheres? Lendo igual água.

Até aí, tudo bem. A literatura sempre foi um dos poucos lugares em que podemos tomar decisões absolutamente questionáveis sem precisar ligar para a mãe depois. O problema é que, na última Bienal do Livro de São Paulo, o negócio aparentemente resolveu sair das páginas.

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Vídeos de homens mascarados interagindo com visitantes no estande da Editora Fruto Proibido viralizaram. Entre os registros que circularam, havia beijos e outras interações de teor sensual. Depois da repercussão, a Bienal afirmou que aquilo não fazia parte de sua programação nem havia sido autorizado pela organização. A editora, por sua vez, disse que não contratou nem convidou os mascarados e que inicialmente entendeu a presença deles como uma interação espontânea. Ou seja: ninguém chamou o Ghostface. O Ghostface simplesmente apareceu.

Interação do Ghostface na Bienal com leitora viraliza nas redes

Interação do Ghostface na Bienal com leitora viraliza nas redes

Reprodução/Internet

Eu não sei vocês, mas acho particularmente fascinante termos chegado ao momento histórico em que um homem pode colocar uma máscara de assassino, entrar numa feira literária e encontrar uma fila metafórica de mulheres pensando: “Finalmente um homem com potencial.”

E é aqui que eu comecei a pensar: o que DIABOS o Dark Romance fez com a nossa cabeça? Porque existe uma matemática curiosa acontecendo. Na vida real: “Ele pediu a senha do meu Instagram.” AMIGA, CORRE. No Dark Romance: “Ele invadiu a casa dela, instalou câmeras, matou quatro pessoas e disse que ela pertence a ele.” …mas ele é alto?

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E antes que alguém apareça querendo interditar a biblioteca: não, gostar de uma fantasia não significa querer vivê-la. Graças a Deus. A ficção sempre foi um laboratório seguro para experimentar medo, desejo, poder, submissão, perigo, obsessão e todas aquelas coisas que provavelmente não colocaríamos na bio do Bumble.

O interessante não é perguntar por que mulheres gostam de personagens problemáticos. A pergunta que me pega é outra: por que personagens problemáticos são tão atraentes quando sabemos que eles não podem nos machucar?

Talvez parte da resposta esteja justamente aí. Na fantasia, o perigo vem com botão de desligar. Você fecha o livro. Você pausa o Kindle. Você termina o capítulo. E aquele homem obsessivo, ciumento e potencialmente criminoso fica educadamente preso na página 287. Na vida real, infelizmente, não existe marcador de página.

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E foi justamente isso que a confusão da Bienal escancarou. Quando uma fantasia sai do livro e passa a envolver pessoas reais, entram no roteiro coisas muito menos interessantes que um mafioso tatuado de 1,90 m: consentimento, contexto, idade, responsabilidade e limite.

Talvez por isso eu não ache que o dark romance esteja fazendo as mulheres perderem a cabeça. Talvez ele esteja só revelando uma coisa que a cultura passou muito tempo fingindo que não existia: mulheres também têm fantasias estranhas. Mulheres gostam de histórias violentas, eróticas, absurdas, moralmente questionáveis e completamente incompatíveis com aquilo que escolheriam para a própria vida.

E sabe o que é mais interessante? Homens fazem isso há séculos. Eles assistem filmes de guerra sem querer levar um tiro. Jogam GTA sem necessariamente querer roubar um carro. Gostam de filmes de máfia sem mandar currículo para o crime organizado. Mas basta uma mulher abrir um livro e pensar “meu Deus, esse assassino mascarado…” e imediatamente precisamos convocar uma CPI da libido feminina.

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Talvez o fenômeno do dark romance diga menos sobre mulheres que “perderam a cabeça” e mais sobre mulheres que estão cada vez mais confortáveis em admitir: “Eu sei que é errado. É justamente por isso que estou lendo.”

Só existe uma pequena regra: fantasia é fantasia. Vida real é vida real. Dentro do livro, o perigo termina quando você fecha a página.

Porque você pode até se apaixonar pelo stalker, pelo mafioso, pelo sequestrador e pelo assassino mascarado. Afinal, a ficção existe justamente para a gente fazer escolhas que jamais faria na vida real.

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Porque uma coisa é o homem misterioso aparecer do nada no capítulo 12. Outra é ele aparecer do nada na porta da sua casa. Aí, amiga, não é Dark Romance. É caso de polícia.

Dark romance: por que as red flags ficaram tão atraentes?