"Bomba atômica" e "terremoto": como a imprensa mundial vê a crise no STF
Brasil e o mundo estão vendo a deterioração das nossas instituições, instrumentos fundamentais para qualquer democracia

O escândalo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, já atravessou as fronteiras brasileiras e ganhou espaço importante na imprensa internacional.
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A Associated Press, dos Estados Unidos, destaca a pressão crescente sobre Moraes e lembra que estamos falando de um dos ministros mais conhecidos do Supremo fora do Brasil, principalmente pela atuação nos processos envolvendo Jair Bolsonaro. A também americana Bloomberg diz que as novas revelações colocam novamente o ministro no centro de um caso que já ameaça a credibilidade da mais alta corte brasileira.
Na Europa, o espanhol El País usa uma expressão ainda mais forte: diz que as revelações caíram como uma “bomba atômica” na política brasileira, a menos de cinco semanas das eleições. Na Argentina, o La Nación fala em “terremoto político e institucional”, enquanto o Clarín chama a atenção justamente para o possível impacto do caso na disputa presidencial.
A ONG Transparência Internacional ressaltou que o Brasil vive simultaneamente o maior escândalo de corrupção orçamentária da história, o maior escândalo de corrupção previdenciária — o roubo aos aposentados do INSS —, o maior escândalo de corrupção financeira e bancária da história, e tudo isso se passa diante da maior crise institucional da história.
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Quando um episódio envolvendo um ministro do Supremo passa a ser descrito como “bomba atômica” e “terremoto institucional”, o problema é muito grave! Passam a estar em jogo também a imagem e a credibilidade de uma das instituições mais importantes da democracia brasileira — justamente no momento em que o país entra na reta final de uma eleição presidencial.
Bem… o estrago institucional já está feito. Agora, o Brasil e o mundo estão vendo a deterioração das nossas instituições, instrumentos fundamentais para qualquer democracia. Caso toda essa promiscuidade não seja passada a limpo, as consequências para o Brasil e para a população brasileira serão profundas.
Instituições em crise representam um dos principais riscos para a democracia de qualquer nação. Episódios na história mundial não faltam. A maioria das ditaduras do mundo tem suas instituições aparelhadas. Cabe à sociedade brasileira dar um basta em tudo isso.
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No caso do STF, há sete anos o excesso de poder nas mãos do Supremo e de alguns de seus membros vem extrapolando qualquer limite. Tornou-se um poder sem freios, acima dos outros.
Na Europa, para evitar a politização da Justiça e o abuso de poder, há mandatos para ministros das Supremas Cortes, assim como a indicação, em boa parte dos países, é feita de forma mais democrática. Ou seja, não é apenas o chefe de Estado que indica: há também a participação do Parlamento, a chamada Casa do Povo.
O instrumento do foro privilegiado — pelo qual políticos brasileiros, em determinadas situações, só podem ser julgados pelo Supremo — acabou criando uma espécie de simbiose no país. Sabe aquela história de “ninguém solta a mão de ninguém”?
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Já passou, e muito, da hora de o país adotar uma reforma do Judiciário.
