Desabastecimento, greves e inflação: entenda os impactos da crise do diesel
Quando o preço dispara, aumenta o custo do transporte, da produção e, no fim da cadeia, praticamente tudo fica mais caro
Hoje eu quero destacar o diesel, que virou um dos principais termômetros da crise internacional e tem acendido alerta em vários países no mundo com ameaças de greve e paralisações.
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E o problema não termina na bomba de combustível. O diesel movimenta a economia mundial. Navios, caminhões, tratores, uma infinidade de máquinas. Quando o preço dispara, aumenta o custo do transporte, da produção e, no fim da cadeia, praticamente tudo fica mais caro.
A crise atual tem duas frentes. Os ataques da Ucrânia contra refinarias e instalações petrolíferas russas reduziram a capacidade de produção e levaram Moscou a suspender as exportações de diesel. Ao mesmo tempo, o conflito entre Estados Unidos e Irã atingiu refinarias, fechou rotas e reduziu drasticamente a passagem de petróleo e derivados pelo Estreito de Hormuz.
Antes dessas interrupções, a Rússia e os países do Golfo respondiam, juntos, por quase quarenta e cinco por cento do comércio marítimo mundial de diesel e combustíveis semelhantes.
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Nesta sexta-feira, o petróleo recuou cerca de dois por cento, mas continua acima dos cem dólares o barril. E aqui existe uma diferença importante: mesmo quando o petróleo cai, o diesel pode continuar caro. Isso acontece porque o problema não está apenas na quantidade de petróleo disponível, mas também na falta de refinarias capazes de transformá-lo em combustível.
Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel já ultrapassou seis dólares por galão, um recorde.
Na França, o litro do diesel chegou a dois euros e trinta e sete centavos, uma alta de quarenta por cento desde fevereiro. Alguns postos já enfrentam dificuldades para repor os estoques.
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A reação começou entre os profissionais que mais dependem do combustível. Pescadores bloquearam portos e incendiaram pneus na estrada de acesso a um depósito de combustíveis no sul do país.
Em Nice, barcos formaram uma barreira na entrada do porto. O movimento chegou ao terceiro dia e se espalhou por outros pontos do Mediterrâneo, com ameaças de impedir a passagem de embarcações comerciais e turísticas.
Pressionado, o governo prorrogou até o fim do ano as ajudas emergenciais para a pesca, a agricultura e a construção civil. O auxílio aos pescadores poderá chegar a trinta e cinco centavos por litro e passará a acompanhar a variação do preço do combustível. Ou seja: poderá aumentar ou diminuir de acordo com as cotações.
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Mas o governo está socorrendo apenas os setores considerados mais vulneráveis. Não existe, até agora, uma ajuda geral para todos os motoristas franceses.
E a preocupação já chegou a outras categorias. Taxistas dizem que estão trabalhando no prejuízo e avaliam uma paralisação já na próxima semana.
Nesta sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron recebe no Palácio do Eliseu líderes partidários e candidatos à Presidência para discutir justamente a crise do diesel .
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A França sabe que o combustível pode funcionar como uma faísca. Foi justamente uma alta dos impostos sobre gasolina e diesel que desencadeou, em 2018, o movimento dos coletes amarelos - que parou o país .
No Brasil, a crise também acendeu o alerta. O país depende de cerca de um quarto de sua demanda . A Petrobras reajustou o combustível em um real por litro, mas a alta foi anulada por um subsídio federal do mesmo valor, válido inicialmente por trinta dias. Por enquanto, portanto, o preço cobrado pela estatal às distribuidoras não mudou. A Agência Nacional do Petróleo afirma que não há risco de desabastecimento generalizado.
Bem …A pressão sobre o diesel é global. Começa nas refinarias atingidas, atravessa o Estreito de Hormuz, chega aos portos franceses e termina como sempre no bolso do consumidor.
