Sonia Blota

Escândalos no STF repercutem no exterior e afetam a imagem da Corte

Infelizmente, já faz tempo que o STF do Brasil está sob os holofotes dos observadores internacionai

3 min

10/09/2026 14:47 • Atualizado há 13 dias

A crise do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido acompanhada pela mídia internacional também com perplexidade. E não poderia deixar de ser. O Brasil é considerado uma importante democracia e está entre as maiores economias do mundo.

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O jornal francês Le Monde classifica o que chamou de “Master affair” como uma crise político-financeira que atingiu a imagem da Suprema Corte brasileira. A agência britânica Reuters destaca uma crise sem precedentes no STF, com ministros tomando decisões conflitantes entre si, e lembra que o escândalo chegou à cúpula da Polícia Federal.

Já a americana Associated Press relata que Fachin teve que suspender decisões de Mendonça e Dino para tentar impedir que a crise causasse ainda mais danos institucionais. A agência fala em uma significativa turbulência interna e destaca que o conflito passou a produzir decisões judiciais contraditórias — uma situação que alimenta a insegurança jurídica no país.

Infelizmente, já faz tempo que o Supremo Tribunal Federal do Brasil está sob os holofotes dos observadores internacionais. E não apenas em relação ao caso Master, mas também por questionamentos sobre a politização da Corte brasileira.

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No ano passado, o governo Trump aplicou sanções da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de prisões arbitrárias, restrições à liberdade de expressão e medidas contra críticos. As sanções foram posteriormente revertidas.

Muitos podem dizer que se tratou de interferência por razões ideológicas. Mas o fato é que os questionamentos não vieram somente dos Estados Unidos.

Na Espanha, governada pelos socialistas, a Justiça recusou, em 2025, a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio, acusado por Alexandre de Moraes de conspiração contra o Estado Democrático de Direito, corrupção de menores e incitação a outros crimes.

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A Justiça espanhola não entrou no mérito das acusações nem avaliou se o jornalista era culpado ou inocente. Mas apontou a existência de conexão e motivação política no pedido de extradição e considerou que havia risco de que ele não tivesse um julgamento imparcial no Brasil.

Este ano, a Corte de Cassação italiana negou a autorização para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, no caso da invasão hacker ao CNJ. Ela foi condenada a 10 anos de prisão no Brasil. A Justiça italiana levantou questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento no Brasil e sobre o duplo papel do ministro Alexandre de Moraes, como juiz e na condução de atos processuais e investigativos.

Bom… gostem ou não dos personagens envolvidos — que são, de fato, figuras para lá de controvérsias —, tribunais estrangeiros, apesar de não terem entrado no mérito dos possíveis crimes cometidos, têm apontado problemas na condução desses processos.

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A percepção de corrupção e de politização do Supremo só cresce. E a segurança jurídica de um país é uma das bases da democracia é fundamental para que outros países e empresários estrangeiros acreditem no futuro do Brasil.

O que esperamos agora é que a Corte seja passada a limpo. Que a instituição seja preservada — e não a vida particular de cada ministro.

O que pesa sobre Alexandre de Moraes é muito sério e precisa ser esclarecido. É preciso saber se o ministro ajudava ou não um criminoso. E isso precisa ficar claro para toda a sociedade, para todo cidadão brasileiro. Nós merecemos a verdade.

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O inquérito das fake news, que já dura sete anos, precisa ser resolvido de uma vez por todas. Assim como precisa ser enfrentada a discussão sobre a politização da nossa Suprema Corte.