Ex-ministro sobre UE suspender importação de carnes do Brasil: ‘Tragédia’
Setembro começou e, a partir de quinta-feira (3), conforme já anunciado em junho, a União Europeia suspenderá a importação de carne bovina e de aves

Setembro começou e, a partir de quinta-feira (3), conforme já anunciado em junho, a União Europeia suspenderá a importação de carne bovina e de aves provenientes do Brasil. A lista também inclui ovos, mel, peixes criados e frutos do mar.
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A alegação da Comissão Europeia é que o Brasil não apresentou garantias suficientes em relação ao uso, por seus produtores, de antibióticos que são proibidos pelos europeus na criação dos animais no continente.
No caso da carne de aves e do mel, há uma auditoria em andamento que deverá ser concluída na sexta-feira (4), o que pode reverter a proibição. Já para a carne bovina, o prazo deve ser mais longo.
A medida do bloco europeu é criticada pelos produtores brasileiros, que alegam protecionismo por parte dos europeus, que não conseguem competir com o forte agro do Brasil, que tem uma produtividade muito superior à europeia. E reforçam: boa parte da produção brasileira já atende aos critérios europeus.
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Na França, como em outros países da Europa, por exemplo, o lobby do setor é muito forte e a agricultura e a pecuária são subsidiadas pelo governo.
Este protecionismo europeu e, após a assinatura do acordo com o Mercosul, já era de se esperar cada vez mais exigências do bloco, inclusive as sanitárias.
O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera classificou como uma tragédia.
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"Essa notícia de que, efetivamente, o Brasil vai ficar fora da lista autorizada de exportação foi uma tragédia. Por quê? Porque esse assunto começou a ser discutido em 2020. Em 2022, a União Europeia notificou o Brasil de que nós precisaríamos atender a esse requisito dos antimicrobianos”, declarou o ex-ministro à Band.
“A União Europeia defende com unhas e dentes os seus agricultores, os seus criadores. Então, o Brasil deveria ter feito a lição de casa e, infelizmente, não fez. É importante realçar que todos os nossos concorrentes — por exemplo, do Mercosul: Uruguai, Paraguai, Argentina — atenderam a esses requisitos. Os Estados Unidos, a Austrália, que também são nossos concorrentes, nenhum deles está fora da lista de exportação”, completou.
O Brasil se tornou a maior potência mundial do agro e incomoda seus concorrentes no mundo todo. Não é só a União Europeia.
Os Estados Unidos vêm fazendo pressão sobre nossos produtos, a China colocou cotas na importação da carne brasileira, vários produtores mundo afora tentam desqualificar o produto em uma concorrência predatória. Tudo isso faz parte do jogo. O que o Brasil precisa é estar preparado para responder a estes desafios antes de qualquer bomba estourar.
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