Lula promoverá agenda positiva na ONU para mudar foco do debate no Brasil
Discurso deverá ser marcado pela defesa do multilateralismo, uma das principais linhas da atual política externa

O presidente Lula já está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU. E, conforme a tradição, o Brasil será o primeiro Estado-membro a discursar no debate geral, que começa nesta terça-feira.
Continua depois da publicidade
Esta é a octogésima primeira Assembleia Geral da ONU, organização criada em 1945, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Uma instituição que parece, atualmente, parada no tempo diante de um mundo que tem colocado o multilateralismo em xeque.
Este ano marca também a última Assembleia Geral do português António Guterres, que está há quase dez anos à frente da instituição como secretário-geral.
Com essa viagem, o presidente Lula pretende promover uma agenda positiva e tentar mudar o foco do debate no Brasil. Em plena campanha eleitoral, o país só fala do maior escândalo de todos os tempos do Poder Judiciário. Um assunto que tem ofuscado qualquer outra pauta de Lula, seja como presidente, seja como candidato.
Continua depois da publicidade
O discurso deverá ser marcado pela defesa do multilateralismo, uma das principais linhas da atual política externa brasileira. Lula também deverá falar sobre os conflitos mundiais e defender a diplomacia como a única forma de resolvê-los.
O tema da soberania também deverá estar presente, com o presidente condenando a interferência de outros países em assuntos internos de outras nações. Um claro recado aos Estados Unidos.
Além disso, Lula voltará a defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, assunto presente em seus discursos desde o primeiro mandato.
Continua depois da publicidade
Hoje, a agenda do presidente será dedicada à preparação desse discurso e a alguns encontros bilaterais. Entre eles, uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, considerado um líder emergente da ala esquerda do Partido Democrata; com o senador Bernie Sanders, histórico apoiador de Lula; e com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, um dos aliados progressistas do brasileiro em uma América Latina que vive, atualmente, um avanço da direita.
E Lula e Trump? Ainda não se sabe se um encontro bilateral acontecerá depois da tal “química” entre os dois e das brigas posteriores. Mas um aperto de mão nos corredores da ONU não está descartado.
A semana de Trump será cheia. O presidente chinês, Xi Jinping, que não participa presencialmente da Assembleia Geral da ONU, chega aos Estados Unidos no dia 23 para uma visita de Estado.
Continua depois da publicidade
Quando os líderes das duas maiores potências mundiais se encontram, surge uma oportunidade muito mais concreta do que a oferecida pela decadente Assembleia Geral da ONU para discutir os principais assuntos geopolíticos: a disputa comercial, a situação no Oriente Médio e o interminável conflito entre Rússia e Ucrânia.
