EUA preparam rascunho com possíveis novas sanções a Moraes
Governo americano avalia retomar as sanções contra o ministro e integrantes do STF considerados aliados do ministro

Hoje é um dia histórico, em que o Brasil espera que as instituições não virem as costas para o país. As instituições existem para servir à República, e não para se servir dela — seja por meio de todos os tipos de benesses que só se viam na antiga realeza, de salários elevadíssimos ou até mesmo da ideia de que estão acima da Constituição.
Continua depois da publicidade
O que acontece hoje é muito sério. E a preocupação não se restringe apenas ao Supremo Tribunal Federal, mas alcança também o Senado, o Congresso e o Executivo brasileiro.
A crise brasileira ultrapassou as fronteiras e vem sendo noticiada no mundo inteiro. A agência britânica Reuters classifica o episódio como o maior teste à credibilidade do STF desde a redemocratização do Brasil. O jornal também britânico Financial Times destaca o envolvimento da Corte brasileira no escândalo do Banco Master, de cerca de 10 bilhões de dólares.
O francês Le Monde chama a crise de um escândalo político-financeiro que abala o Supremo Tribunal Federal do Brasil. A emissora catari Al Jazeera chama a atenção para o conflito aberto entre ministros do Supremo, as suspeitas de corrupção, a parcialidade política da Corte brasileira e a interferência na Polícia Federal.
Continua depois da publicidade
Bom… em meio a todo o imbróglio, o governo americano avalia retomar as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e integrantes da Corte considerados aliados do ministro. O Tesouro americano já teria preparado um rascunho para a retomada das punições com base na Lei Magnitsky e estaria aguardando o posicionamento oficial do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Essas sanções podem atingir não apenas o ministro, mas também o sistema financeiro do país e diversas empresas. Em 2025, Moraes e sua mulher, Viviane Barci, já haviam sido sancionados, mas as sanções foram rapidamente suspensas após uma negociação do governo Lula com os Estados Unidos. Sendo assim, nem o ministro nem o país sentiram o impacto pleno da lei.
O que acontece hoje no Brasil é de extrema importância. E, como resultado de tudo isso, a sociedade brasileira poderá esclarecer uma dúvida: o artigo 5º da nossa Constituição é realmente válido? Todos os brasileiros são, de fato, iguais perante à lei?
Continua depois da publicidade
Horário e onde assistir ao vivo ao julgamento no STF
A sessão do plenário começa a partir das 10h desta terça (15), com transmissão aberta ao público. Quem quiser acompanhar ao vivo terá opções em televisão, rádio e plataformas digitais.
- Quando: a partir das 10h
- Transmissão: Band.com.br, na BandNews TV, no Bandplay, no YouTube de Band Jornalismo nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.
A reação dos ministros na véspera e no dia do julgamento
Antes da sessão, o ministro Alexandre de Moraes quebrou o silêncio e negou conversas com Vorcaro, classificando as acusações como "diálogos fantasiosos" e apontando que 90,4% das anotações do bloco de notas do banqueiro sequer constavam em chats reais do WhatsApp.
Em petição encaminhada à Presidência do STF, Moraes acusou Mendonça de agir com fins eleitorais e sustentou que o julgamento representa uma tentativa de "vingança" por parte de aliados dos condenados pelo 8 de janeiro. Por sua vez, o ministro André Mendonça prestou esclarecimentos a Fachin sobre a Operação Compliance Zero, afirmando ter ouvido delegados em seu gabinete por cautela após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da PF e do PGR em anotações do empresário.
Continua depois da publicidade
Determinação de Fachin e abertura do sigilo do Caso Master
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.
A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal que detalham a frequência de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de revelar o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.
Confronto entre ministros e a disputa pela transparência integral
Na sexta-feira (11), a tensão interna escalou quando o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos relacionados ao caso.
Continua depois da publicidade
Moraes acusou Mendonça de realizar uma "escolha seletiva" na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos. Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.
Por sua vez, Mendonça rebateu as acusações de Moraes e negou ter ocultado documentos, classificando a tabela apresentada como "imprestável" e esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.
Manutenção do julgamento e decisões de Fachin
Embora o ministro Gilmar Mendes tenha sugerido adiar a sessão sobre a conduta de Moraes, o presidente Edson Fachin decidiu, no sábado (12), manter o julgamento extraordinário.
Continua depois da publicidade
Fachin negou o pedido para julgar Mendonça junto de Moraes na próxima semana, pautando o processo contra Mendonça para 23 de setembro. Além disso, Fachin assumiu a relatoria de procedimento que envolve Moraes no caso Master e confirmou que a sessão sobre a conduta de Moraes terá transmissão ao vivo.
Na segunda (14), o STF definiu o rito da sessão sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, estabelecendo o passo a passo regimental da deliberação plenária, que incluirá a leitura do relatório por André Mendonça, manifestações da PGR, sustentações orais, votação individual dos ministros e a proclamação do resultado por Fachin.
Para conter o clima de tensão no Plenário, Fachin avaliou separar fisicamente Mendonça e Moraes na bancada dos ministros, enquanto o esquema de segurança da Praça dos Três Poderes foi reforçado com fechamento de vias e monitoramento por drones.
Continua depois da publicidade
Força-tarefa nos gabinetes e análise do celular de Vorcaro
Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a PF enviou os dados do celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar e Moraes. As equipes dos três gabinetes organizaram uma força-tarefa no celular de Vorcaro para confrontar Mendonça. O objetivo da varredura foi mapear interações e verificar se haviam ocorrido omissões no relatório inicial apresentado ao plenário.
Novas frentes de investigação e relatórios de inteligência financeira
Na segunda (14), Mendonça atendeu a Fachin e derrubou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após a PGR apoiar o novo pedido de abertura de sigilo. Na mesma data, o Coaf apontou transações do Caso Master com autoridades com foro privilegiado, registrando ter segregado dados de autoridades do STJ e do STF por restrições legais.
Ramificações políticas e reações oficiais
O acervo revelou que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, que um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro. Além disso, relatórios da Polícia Federal indicaram que aliados de Vorcaro acionaram o PCC para protegê-lo na prisão após sua detenção em novembro de 2025.
Continua depois da publicidade
No campo político, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse, enquanto a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas a um fundo nos EUA. O presidente Lula, logo após a determinação da queda do sigilo do Caso Master na quinta (10), declarou que se Moraes e Mendonça forem culpados, eles têm de pagar.
