Trump recebe Xi em primeira visita de Estado aos EUA em mais de 10 anos
Comércio e Taiwan estão entre os principais temas da agenda

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quinta-feira (24), em Washington, o presidente chinês, Xi Jinping, na primeira visita de Estado do líder asiático à capital americana em mais de dez anos. Comércio e Taiwan estão entre os principais temas da agenda.
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O encontro ocorre enquanto líderes mundiais continuam seus discursos na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump foi pessoalmente ao aeroporto receber Xi. Mais do que um gesto de aproximação, a atitude mostra o peso político do encontro.
Estados Unidos e China disputam mercados, tecnologia e influência internacional. Ao mesmo tempo, dependem um do outro. Quando essa disputa se intensifica, o impacto chega às empresas, aos preços e às cadeias de produção em várias partes do mundo.
O assunto mais imediato em pauta é o comércio. Os dois governos chegaram a um entendimento para prorrogar até janeiro a trégua comercial, que suspendeu a escalada de tarifas impostas mutuamente. Em determinado momento, essas taxas passaram de 100% dos dois lados, encarecendo os produtos e aumentando a tensão entre as duas economias.
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A prorrogação dá mais tempo para negociar, mas ainda não resolve as divergências comerciais. Trump quer resultados econômicos para apresentar nos Estados Unidos, enquanto Xi busca estabilidade para a economia chinesa.
Cada um, porém, chega à mesa de negociações com instrumentos de pressão: os americanos controlam tecnologias que a China deseja; os chineses têm uma posição dominante no fornecimento de terras raras, essenciais para a indústria de alta tecnologia.
A conversa, no entanto, não se limita à economia. Taiwan é o ponto mais delicado. Pequim considera a ilha parte de seu território e quer que Washington suspenda a venda de armas aos taiwaneses. Os Estados Unidos são o principal apoio internacional de Taiwan. Qualquer mudança nessa relação seria acompanhada com atenção por toda a Ásia.
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A expectativa não é de um acordo capaz de encerrar a rivalidade. O objetivo, neste momento, parece ser impedir que ela se transforme em uma crise maior. Mesmo quando dezenas de governos se reúnem na ONU, é entre Washington e Pequim que se discutem algumas das decisões com maior poder de alterar o equilíbrio internacional.
Para o Brasil, essa disputa exige equilíbrio. A China é o maior parceiro comercial do país, um mercado fundamental para as exportações brasileiras. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial e o principal em investimentos, inclusive na área de tecnologia.
Uma aproximação entre Trump e Xi pode trazer mais estabilidade à economia mundial, mas os interesses dos dois países nem sempre coincidem com os brasileiros. O desafio do Brasil é manter uma boa relação com os dois países, ampliar suas oportunidades de comércio e defender seus interesses sem ter de escolher um lado nessa disputa.
