UE suspende importação de carnes do Brasil; produtores veem protecionismo
Bloco alega que o controle brasileiro sobre o uso de alguns antibióticos na criação de animais é insuficiente

A União Europeia suspende, a partir desta quinta-feira (3), a importação de carne bovina, suína e de frango do Brasil, além de pescados, ovos e mel. A justificativa é sanitária.
Continua depois da publicidade
Os europeus alegam que o controle brasileiro sobre o uso de determinados antibióticos na criação de animais é insuficiente. Alguns desses medicamentos são proibidos pelos europeus para acelerar o crescimento dos animais e outros só podem ser usados no tratamento de seres humanos.
A discussão é sobre as garantias e os mecanismos de controle apresentados pelo Brasil.
O setor brasileiro vê protecionismo na decisão, já que a medida foi anunciada num momento em que os produtores europeus aumentaram a pressão contra a concorrência do Mercosul. Na França, essa resistência é particularmente forte. Agricultores e pecuaristas têm enorme poder de pressão e há anos argumentam que não podem competir com produtos sul-americanos mais baratos.
Continua depois da publicidade
Muitos dos nossos produtores também criticam a condução do governo diante do embargo europeu. O ex-ministro da agricultura Antônio Cabrera considera a medida como uma “tragédia”.
"Essa notícia de que, efetivamente, o Brasil vai ficar fora da lista autorizada de exportação foi uma tragédia. Por quê? Porque esse assunto começou a ser discutido em 2020. Em 2022, a União Europeia notificou o Brasil de que nós precisaríamos atender a esse requisito dos antimicrobianos”, declarou o ex-ministro à Band.
Antes da proibição ter sido anunciada, o governo deveria ter sido mais proativo, acionado a diplomacia e ter apresentado documentação de rastreabilidade e transparência aos órgãos europeus competentes.
Continua depois da publicidade
Segundo boa parte do setor, era previsível a União Europeia atacar desta forma nossos produtos para mascarar seu protecionismo. Muitos produtores brasileiros já atendem ao protocolo europeu. E mesmo assim, o embargo entrou em vigor.
No caso do frango e do mel, uma auditoria europeia termina nesta sexta-feira, mas uma eventual liberação ainda pode levar cerca de dois meses. Para a carne bovina, o problema é mais complicado porque o novo controle precisa acompanhar praticamente toda a vida do animal.
O Brasil é uma potência mundial do agronegócio e, quanto mais competitivo se torna, maior é a pressão dos concorrentes. União Europeia, Estados Unidos, China, cada mercado usa instrumentos diferentes para proteger seus interesses. Faz parte do jogo comercial.
Continua depois da publicidade
O que o Brasil não pode é esperar a barreira aparecer para começar a correr atrás dela. Precisa antecipar exigências, negociar regras e, principalmente, estar preparado para defender um setor tão vital para a economia brasileira.
