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Como estudante do interior da BA superou inseguranças para cursar medicina

Para Anna Victoria Lucena Gomes, 21, estudante do quarto semestre de medicina na Faculdade Ages, em Irecê (BA), o caminho até a medicina começou antes mesmo

5 min

19/09/2026 11:10 • Atualizado há 5 dias

Como estudante do interior da BA superou inseguranças para cursar medicina

Para Anna Victoria Lucena Gomes, 21, estudante do quarto semestre de medicina na Faculdade Ages, em Irecê (BA), o caminho até a medicina começou antes mesmo de ela ter certeza de que seria capaz de percorrê-lo. Moradora de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, interior da Bahia, a estudante deixou a cidade ainda no ensino médio para estudar. A experiência contribuiu para seu amadurecimento e fortaleceu um sonho que durante muito tempo pareceu distante.

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Ligada à família, curiosa e disposta a aprender e a servir, Anna Victoria passou boa parte da adolescência em dúvida sobre qual profissão seguir. Foi durante o ensino médio, em um processo de autoconhecimento e de conversas com a família, que começou a perceber que a medicina fazia sentido para ela.

“Até então, eu tinha muitas dúvidas sobre qual profissão seguir”, relata. Aos poucos, passou a se permitir sonhar com um futuro que acreditava não ser possível.

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A insegurança, porém, acompanhou parte dessa trajetória. Anna Victoria chegou a acreditar que não tinha capacidade para cursar medicina. Tinha medo de estudar, se dedicar e, ainda assim, não conseguir aprender determinados conteúdos. Na infância e no início da adolescência, dizia que queria seguir outras profissões justamente porque considerava a medicina inalcançável.

Com o tempo, percebeu que a principal barreira estava na maneira como enxergava a própria capacidade. “Quando comecei a acreditar que eu era capaz de aprender, evoluir e superar as dificuldades, tudo mudou”, afirma.

Uma preparação longe de casa

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Durante o ensino médio, Anna Victoria estudava em outra cidade, dividia um apartamento com um primo e algumas amigas e via a família, em média, a cada 15 dias. Além das atividades escolares, precisou aprender a cuidar da casa e lidar com a responsabilidade de morar longe desde cedo.

Depois de concluir o ensino médio, decidiu dedicar-se exclusivamente ao cursinho. Para isso, saiu de casa novamente e foi morar a mais de 400 quilômetros da família, em Salvador, onde fez um curso presencial.

A rotina era intensa. Ela saía cedo, enfrentava ônibus lotados e passava o dia estudando. Pela manhã, assistia às aulas; à tarde, resolvia questões e revisava os erros. Nos fins de semana, fazia simulados. Também mantinha uma rotina de redações, com cerca de duas por semana.

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A distância trouxe desafios que iam além dos estudos. Saudade, solidão, ansiedade e medo de não conseguir a aprovação fizeram parte do período. Ainda assim, a experiência fortaleceu sua disciplina e ensinou que, para ela, grandes conquistas exigem constância.

Mais tarde, Anna Victoria continuou a preparação em um cursinho on-line, mantendo o método de assistir às aulas e, na sequência, resolver questões antes de avançar para outro conteúdo.

Ela chegou a ser aprovada na instituição em que estuda atualmente logo depois de concluir o ensino médio. Por questões familiares, entretanto, decidiu adiar o início da graduação e investir em mais dois anos de preparação.

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Foi uma decisão difícil, mas que, segundo ela, ensinou que cada trajetória tem seu próprio tempo. “Nem sempre o caminho mais rápido é o que faz mais sentido.”

Quando o sonho finalmente começou

A aprovação veio acompanhada de alívio, gratidão e felicidade. Anna Victoria se lembra do momento como um dos mais marcantes de sua vida. A notícia foi compartilhada com toda a família, que, para ela, também fazia parte daquela conquista.

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Depois de anos de dedicação, renúncias e inseguranças, o resultado representava mais do que uma vaga na faculdade. Era a confirmação de que o sonho que um dia pareceu inalcançável poderia, de fato, se tornar realidade.

Hoje, Anna Victoria conta que a proximidade com Morro do Chapéu foi um dos fatores que pesaram na escolha da faculdade, já que permite manter contato mais frequente com a família. Ela também se identificou com a metodologia PBL e com a possibilidade de participar de atividades práticas desde os primeiros semestres.

A realidade da graduação confirmou o que imaginava: um curso intenso e exigente, que demanda dedicação. Ao mesmo tempo, a estudante encontrou experiências que reforçaram sua escolha. Estágios e ações voluntárias, além do contato com profissionais inspiradores, ajudaram a fortalecer seu propósito.

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Anna Victoria acredita que, muitas vezes, os próprios limites são os que precisam ser vencidos primeiro I Crédito: Arquivo pessoal

Anna Victoria acredita que, muitas vezes, os próprios limites são os que precisam ser vencidos primeiro I Crédito: Arquivo pessoal

Cuidar também é ouvir

Para lidar com a pressão da graduação, Anna Victoria faz acompanhamento psicológico oferecido pela própria instituição. Para ela, cuidar da saúde mental é tão importante quanto estudar.

Um dos momentos mais difíceis ocorreu no fim de um semestre, quando enfrentava provas e prazos enquanto o avô estava hospitalizado. Conciliar a preocupação com um familiar e as responsabilidades da faculdade exigiu força emocional.

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Nessas situações, ela recorre à fé, à família e às pessoas que fazem parte de sua trajetória. A convivência com colegas, professores e profissionais também a lembra de que ninguém constrói esse caminho sozinho.

Ainda no início da graduação, Anna Victoria mantém o futuro em aberto. Pretende fazer residência médica e continuar envolvida em projetos e ações voluntárias. Hoje, neuropediatria é a área que mais desperta seu interesse.

A estudante enfatiza que seu maior desejo como médica é ser uma profissional empática, humana e capaz de enxergar cada paciente para além da doença. “Cuidar também é saber ouvir, acolher e compreender a história de quem está à nossa frente”, afirma.

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Para quem ainda se prepara para o vestibular, Anna Victoria aconselha que é sempre preciso acreditar em si mesmo, estudar, ter paciência com o processo e não permitir que o medo tome as decisões.

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