Cirurgião do aparelho digestivo: como é a rotina da especialidade
O caminho até a cirurgia do aparelho Digestivo passa pela cirurgia geral, uma das especialidades de acesso direto mais concorridas. Segundo dados do Enare

O caminho até a cirurgia do aparelho Digestivo passa pela cirurgia geral, uma das especialidades de acesso direto mais concorridas. Segundo dados do Enare 2026/2027, foram 11.232 inscritos para 487 vagas de cirurgia geral, uma concorrência de 23,06 candidatos por vaga. O índice colocou a especialidade entre as dez mais concorridas de acesso direto no processo.
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Depois dessa etapa, o médico pode seguir para a especialização em cirurgia do aparelho digestivo, que aparece em quinto lugar entre as especialidades com pré-requisito. Foram 81 inscritos para 42 vagas, uma média de 1,9 candidato por vaga.
Mas a disputa pela residência é apenas o começo de uma trajetória que envolve formação longa, rotina intensa e disponibilidade constante. Para entender como é, na prática, a vida de um cirurgião geral e do aparelho digestivo, o Quero Estudar Medicina conversou com o médico Lucas Souto Nacif, 44, que também atua em cirurgia oncológica digestiva, transplante de fígado, laparoscopia e cirurgia robótica.
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Nacif compartilha como é o dia a dia da profissão e o que considera essencial para quem pretende seguir esse caminho. Segundo ele, não existe exatamente um dia típico. A rotina é dinâmica e envolve cirurgias praticamente todos os dias, além de outras atividades profissionais, acadêmicas e físicas. “É uma rotina intensa, mas que faz parte da vida que escolhi”, afirma.
Para conciliar os compromissos, o planejamento é fundamental. Entre as cirurgias, acompanhamento de pacientes, atividades acadêmicas e outras demandas profissionais, o médico conta que precisa colocar praticamente tudo na agenda. A dedicação também se estende aos fins de semana. “Meu trabalho é praticamente de domingo a domingo”, diz.

“Minha trajetória é marcada por dedicação à medicina e busca constante por aprimoramento”, diz Lucas Nacif. I Crédito: Arquivo pessoal
O que faz um cirurgião do aparelho digestivo?
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O cirurgião do aparelho digestivo atua no tratamento cirúrgico de doenças que envolvem os órgãos do sistema digestivo. É uma área ampla, que pode incluir desde procedimentos mais comuns até casos de maior complexidade, como algumas doenças oncológicas e transplantes.
Nacif explica que nem toda cirurgia da área é necessariamente complexa. O grau de dificuldade depende das condições do paciente, da doença e do procedimento necessário. Em determinadas situações, é preciso realizar um planejamento mais detalhado e contar com uma equipe preparada para diferentes desafios.
No caso dos transplantes, além das particularidades técnicas, o médico destaca o aspecto humano relacionado à doação de órgãos. Para lidar com pacientes em situações delicadas, ele procura manter equilíbrio, profissionalismo e concentração no que precisa ser feito.
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Formação exige dedicação
Para quem pretende seguir a especialidade, a trajetória é longa e exige dedicação desde a graduação. O caminho inclui residência e busca constante por aperfeiçoamento. A residência cirúrgica, segundo Nacif, é bastante exigente, principalmente pela carga horária e pelo volume de trabalho. Ao mesmo tempo, funciona como uma introdução à realidade da profissão, preparando o médico para uma carreira que continuará exigindo responsabilidade e disponibilidade.
Entre as características importantes para quem pretende seguir a área, ele destaca força de vontade, persistência, estudo e dedicação. “É preciso realmente querer seguir esse caminho”, enfatiza.
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Para Nacif, a identificação com a área deve pesar mais do que prestígio ou remuneração na escolha da especialidade médica. O estudante precisa ter interesse pela cirurgia e disposição para uma rotina intensa.
“É preciso ter aptidão e interesse pela área. A pessoa vai passar muitos anos estudando e trabalhando naquela especialidade, então gostar do que faz é fundamental”, pontua o cirurgião.
Mesmo depois de décadas de formação, é justamente a possibilidade de ajudar pessoas que continua motivando o médico. Ao olhar para a trajetória, ele afirma que escolheria novamente a medicina e deixa um conselho para quem está começando: “Aproveite mais as oportunidades”.
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Para ele, a faculdade e a formação médica passam rapidamente. Por isso, cada experiência, aprendizado e oportunidade ao longo do caminho pode contribuir para a construção da carreira.
Comunicação também faz parte da rotina do médico
A atuação de Nacif também se estende à comunicação em saúde. O médico decidiu investir em um podcast, o Gastro Cirurgia, voltado ao público geral como forma de ampliar o alcance das informações e chegar a pessoas que não estão necessariamente em um consultório ou ambiente acadêmico. Para ele, comunicar também é uma maneira de ajudar mais pessoas.
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Nesse trabalho, uma das principais habilidades é transformar informações complexas em explicações que façam sentido para quem está ouvindo. Nacif destaca a importância de uma linguagem clara e articulada, sem abrir mão do domínio técnico e da responsabilidade com o conteúdo. Na avaliação do médico, esse cuidado deve existir independentemente do canal, seja em uma consulta, nas redes sociais ou em um podcast.
Segundo Nacif, a comunicação também pode influenciar diretamente a relação entre médico e paciente. Embora considere que existam outros conhecimentos ainda mais fundamentais na formação médica, ele avalia que uma boa comunicação certamente contribui para a prática profissional.
“Uma boa comunicação facilita a relação entre médico e paciente, ajuda a construir confiança e permite que o paciente compreenda melhor o que está acontecendo e participe de forma mais consciente do próprio tratamento."
