Projeto de extensão na medicina: por que essa experiência é importante
Quem sonha em cursar medicina costuma imaginar uma rotina de aulas, provas, estudos e, mais adiante, contato com pacientes. Mas a formação médica não se

Quem sonha em cursar medicina costuma imaginar uma rotina de aulas, provas, estudos e, mais adiante, contato com pacientes. Mas a formação médica não se limita apenas à sala de aula. Projetos de extensão universitária, por exemplo, permitem que o estudante conheça diferentes realidades sociais e coloque em prática conhecimentos adquiridos ao longo da graduação.
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Foi essa experiência que a estudante Anne Caroline Lacerda de Mattos, do 6º período de medicina do UniBH Vespasiano, encontrou em um projeto voltado ao atendimento de pessoas em situação de rua.
A oportunidade surgiu por meio de um processo seletivo realizado pela faculdade a cada semestre. Para Anne, participar da iniciativa é uma maneira de vivenciar a medicina na prática, com acompanhamento de professores.
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“Você consegue aplicar os temas que aprende na teoria de forma sistemática e com acompanhamento direto”, afirma a estudante. Segundo ela, a experiência também contribui para o desenvolvimento de habilidades que serão importantes na carreira, como comunicação, empatia e trabalho em equipe.
Medicina além da doença
O contato com pessoas em situação de rua mostrou a Anne que o cuidado em saúde precisa considerar mais do que os sintomas apresentados pelo paciente.
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“Cuidar importa muito mais do que o tratamento somente”, diz. Para ela, compreender a realidade de cada pessoa é fundamental para adaptar as estratégias de cuidado e aumentar as chances de adesão ao tratamento.
Uma das situações que mais a marcou envolveu uma paciente que havia passado por experiências negativas em atendimentos anteriores e tinha dificuldade para confiar nos profissionais de saúde. Foram necessárias duas consultas para estabelecer um vínculo.
Depois que a confiança foi construída, a equipe conseguiu realizar cuidados básicos de higiene e identificar uma condição de saúde que precisava de atenção. O acompanhamento, aliado a cuidados simples e ao tratamento adequado, contribuiu para a melhora das lesões.
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A experiência mudou a maneira como Anne enxerga a relação entre médico e paciente. “Olhar para ele com atenção e poder enxergar todas as suas particularidades é importante para conseguirmos adaptar os tratamentos e garantir o cuidado”, afirma.
Da extensão à produção científica
A experiência também ultrapassou os limites da atividade prática. A partir dos aprendizados obtidos no projeto, Anne e o professor Alexandre Cortez produziram um artigo científico sobre a vivência.
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Para a estudante, transformar a experiência em conhecimento foi uma forma de contribuir para a formação de outros alunos e reforçar a importância dos projetos de extensão durante a graduação.
O trabalho foi selecionado para apresentação no Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem). Para Anne, apresentar uma produção acadêmica em um evento nacional ainda durante a graduação é uma experiência marcante.
“Ter a possibilidade de participar de um evento nacional e conseguir apresentar essa vivência tão grandiosa é um presente”, conta.
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Anne Mattos I Crédito: Arquivo pessoal
Uma formação que vai além da sala de aula
Para quem ainda está no ensino médio ou se prepara para o vestibular de medicina, experiências como a de Anne mostram que a universidade oferece possibilidades que vão além das disciplinas obrigatórias.
Projetos de extensão, iniciação científica, monitorias, ligas acadêmicas, missões e ações de voluntariado podem fazer parte da trajetória do estudante e contribui na construção da carreira.
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“Estamos construindo a nossa carreira médica na faculdade. Tudo começa aqui”, afirma Anne. Na medicina, aprender também significa sair dos livros, conhecer pessoas, compreender diferentes contextos e transformar essas experiências em conhecimento e cuidado.
Mais do que acrescentar atividades ao currículo, essas experiências podem ajudar o futuro médico a desenvolver um olhar mais amplo sobre o paciente e sobre a própria profissão.
