Harvey Weinstein é condenado a 15 anos de prisão em Nova York
Pena do ex-produtor de Hollywood resulta de novo julgamento do caso de Miriam Haley, sua ex-assistente

A Justiça de Nova York condenou o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein, de 74 anos, a 15 anos de prisão nesta quarta-feira (23). A sentença decorre de um crime sexual cometido contra a ex-assistente de produção Miriam Haley em 2006. O réu já cumpriu mais de seis anos de reclusão ao longo do processo.
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A nova punição encerra uma etapa da reviravolta jurídica. Em 2024, a mais alta corte de Nova York anulou a condenação original de 2020, que fixava 23 anos de cadeia. Os juízes avaliaram na época que os depoimentos de mulheres que não faziam parte do processo prejudicaram a defesa do réu.
Diante da anulação, o tribunal realizou um novo julgamento, no qual Weinstein voltou a ser considerado culpado por duas acusações de agressão sexual contra a vítima.
Haley discursou no tribunal nesta quarta-feira (23) antes da definição da pena. Em sua manifestação perante o juiz, ela relatou que a violência sexual provocou um efeito "devastador" em sua trajetória pessoal e em sua sensação de segurança.
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Ascensão em Hollywood e movimento #MeToo
Weinstein venceu o Oscar e consolidou produções consagradas no cinema, como "Shakespeare Apaixonado" e "Pulp Fiction". Durante décadas, ele exerceu forte poder nos bastidores do cinema americano.
A indústria do entretenimento ignorou durante anos os indícios de abusos cometidos pelo executivo. Em 2017, investigações jornalísticas publicadas pela revista "The New Yorker" e pelo jornal "The New York Times" revelaram denúncias de jovens mulheres, desencadeando a onda de relatos que impulsionou o movimento global #MeToo.
Problemas de saúde e pedidos da defesa
Na fase final do julgamento em Nova York, os promotores solicitaram a aplicação de uma pena de 20 anos de reclusão. Já a defesa pediu que o magistrado determinasse apenas três anos adicionais aos mais de seis anos já cumpridos pelo cliente em regime fechado.
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O advogado Jacob Kaplan sustentou que uma pena maior aumentaria a probabilidade de Weinstein morrer no presídio. A defesa pontuou que o ex-produtor enfrenta problemas renais, insuficiência cardíaca e câncer no sangue, além de utilizar cadeira de rodas e registrar seis internações médicas desde 2025.
Weinstein nega ter estuprado ou abusado sexualmente de qualquer pessoa e poderá recorrer da decisão proferida nesta quarta-feira.
O ex-produtor também aguarda nova sentença em outra ação penal por estupro, em Los Angeles. Uma corte de apelações da Califórnia manteve a condenação proferida em 2022, mas anulou a pena original de 16 anos porque a primeira instância considerou como agravante as condenações de Nova York, que posteriormente acabaram anuladas.
