'Me apaixonei por uma garota de programa, mas minha família não aceita'
Pressionado pela família a se casar com a 'mulher perfeita', Lucas se apaixona por uma garota de programa e fica diante de uma escolha impossível; veja no Quem Ama Não Esquece

Entre o que o mundo espera e o que o coração quer, existe um abismo. Lucas sempre sonhou com a vida perfeita: um casamento nos moldes tradicionais, filhos e uma família unida, assim como a de seus pais. No entanto, o destino o colocou diante de uma escolha impossível entre Helena, a mulher que todos consideravam ideal para ele, e Yasmin, uma garota de programa por quem sentiu uma paixão avassaladora e proibida. Preso entre a razão e a emoção, ele se viu perdido, questionando qual vida estava disposto a viver. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quinta-feira (2).
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Eu sempre sonhei em casar, ter filhos e construir uma família. Desde cedo esse era o meu maior desejo, porque eu cresci em um ambiente assim... uma família bem conservadora, tradicional e unida. Os meus pais já são casados há 52 anos e eu sempre admirei muito os dois. Mas o tempo foi passando, os anos voaram, e eu continuava sozinho.
Eu namorei algumas vezes, mas nenhum desses namoros me despertou aquela paixão, aquele amor, aquela coisa que você sente que é para sempre.
Como todo homem de 30 e poucos anos solteiro, eu saía bastante com os meus amigos e conhecia muita gente diferente. Eu ficava com várias mulheres, mas nenhuma fazia o meu coração bater mais forte. Era tudo um grande vazio.
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Até que o destino me colocou diante de duas mulheres completamente diferentes.
Meu pai, que também queria muito me ver casado, porque para ele um homem não é um homem completo sem uma família, organizou um jantar em casa com um antigo colega de trabalho. Um homem rico e importante. E esse homem ia acompanhado da filha, uma mulher mais ou menos da minha idade. A ideia do meu pai era muito óbvia, né? Me apresentar a moça e torcer para dar certo.
Eu detestava esse tipo de coisa porque nunca dava certo, mas para agradar meus pais, eu topei. O máximo que podia acontecer era eu ter que aguentar algumas horas. Mas para a minha surpresa, quando a Helena chegou, ela era uma mulher muito bonita e muito simpática.
A gente se deu bem quase que imediatamente. Nós ficamos conversando por horas e ela me contou que tinha estudado fora do país, que tinha uma carreira muito bem-sucedida como advogada, que gostava de praticar natação e que frequentava a igreja. Ela era elegante, inteligente e muito meiga.
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Os meus pais se encantaram por ela e eu também fiquei animado. Aquela poderia mesmo ser a mulher que eu tanto tinha esperado, a mulher ideal. No fim do jantar, ela me passou o telefone dela e nós combinamos de sair no fim de semana seguinte.
Um encontro inesperado em uma despedida de solteiro
No dia seguinte àquele jantar, eu fui a uma despedida de solteiro de um amigo e nessa festa eu conheci outra pessoa. A Yasmin. Uma garota de programa.
Claro que naquela noite eu só estava ali para me divertir, mas quando eu fiquei com ela... quando eu toquei na Yasmin, eu senti um arrepio nas minhas costas. Eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu nunca senti nada parecido com aquilo na minha vida. A coisa foi tão maluca, que quando eu fui para o quarto com ela, nada aconteceu. Eu não quis. Eu quis conhecer aquela mulher. Eu quis saber dela, quem era ela, por que ela tinha aquela profissão. Nós ficamos exatamente 8 horas só conversando. Você consegue imaginar uma coisa assim?
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— Olha o horário! Eu preciso ir para casa. Eu tenho que levar o meu filho para a escola.
— Se você quiser eu posso te dar uma carona.
— Não, de jeito nenhum. Esse já foi o trabalho mais estranho da minha vida. Eu nem deveria cobrar nada.
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— Claro que deveria... é o seu tempo que você gastou aqui comigo.
— Mas a gente só conversou.
— Não importa. Escuta, Yasmin, será que a gente pode se ver de novo?
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— Você tem o meu contato. Se quiser pagar de novo só para conversar, é só me ligar.
Naquele dia, ela me contou a vida inteira dela. Disse que já estava na vida há 8 anos, que tinha um filho de 6 que não tinha pai, e que se virava como dava para sustentar a casa. Mas ela não se fazia de vítima em nenhum momento. Ela não era daquelas que queria a nossa pena, a nossa dó.
Ela era forte, tinha personalidade. Ela tinha alguma coisa... alguma coisa diferente. Alguma coisa que me prendia. Mas... mas era uma garota de programa. E pior: uma garota de programa que tinha um filho. E eu não consegui mais tirar aquela mulher da minha cabeça.
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Dois dias depois daquele primeiro encontro, eu liguei de novo. Ela atendeu rindo, como se já soubesse que eu não tinha resistido. Naquela noite, diferente da primeira, a gente não ficou só conversando. Foi a nossa primeira vez. E foi simplesmente inacreditável. Eu já tinha estado com várias mulheres, mas nunca tinha sentido aquilo. Foi como se ela tivesse me marcado por dentro.
Depois daquela noite, eu não quis mais saber de outra coisa. Eu ligava, mandava mensagem, queria ver a Yasmin todos os dias. E mesmo pagando por isso, eu sabia que não era mais sobre o dinheiro. Era sobre nós. Sobre as conversas que a gente tinha, sobre as trocas, sobre admirar uma pessoa tão diferente de mim. Sobre querer simplesmente estar junto.
“Eu sei que isso aqui não vai durar muito tempo…”
Até que um dia, quando eu fui pagar, ela recusou.
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— Não, Lucas. Eu não quero.
— Como assim, não? Você não quer mais me ver?
— Claro que eu quero. Eu só não quero o seu dinheiro.
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— E por quê?
— Porque eu gosto de você. Estar com você não é trabalho. Com você eu consigo ser eu mesma. Trabalhar com o que eu trabalho não é motivo de vergonha, não é humilhante para mim. Mas aceitar o dinheiro do homem que eu gosto... isso sim é. Eu sei que isso aqui não vai durar muito tempo, mas enquanto durar, eu quero que seja de verdade e não só profissional.
Eu fiquei em silêncio. Aquela frase ficou martelando na minha cabeça. E pela primeira vez eu percebi que a gente tinha cruzado uma linha invisível. Não era só desejo, não era só química. Nós estávamos nos apaixonando. Eu nem ousava pensar nisso, mas era a verdade...
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Ao mesmo tempo, tinha a Helena. A gente saiu mais algumas vezes naquelas semanas e sinceramente tudo fazia sentido ao lado dela. A gente combinava em tudo: estilo de vida, condição social, jantares, viagens, passeios. Ela era educada, culta, respeitosa, engraçada na medida certa.
Meus pais a adoravam, meus amigos viviam dizendo que finalmente eu tinha encontrado a mulher certa. Ela era mesmo perfeita. E eu gostava sim de estar com ela.
A gente se dava bem. Ela era a mulher que eu sempre tinha imaginado para levar ao altar. Mas, por mais que eu quisesse, eu não conseguia sentir por ela nem metade do que sentia pela Yasmin. Era como se meu corpo estivesse ali, mas meu coração estivesse sempre em outro lugar.
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A vida com Helena era a vida certa… A vida com Yasmin era a vida real
O tempo foi passando e a ligação com a Yasmin só crescia. Ela me ligava para contar sobre o filho, sobre os problemas do dia a dia, sobre as pequenas conquistas. E eu me via cada vez mais dentro da vida dela. Eu a buscava em casa, ajudava com as compras. E quanto mais eu me envolvia, mais eu sabia que estava entrando num lugar perigoso, sem volta. Foi quando eu passei a ter muito ciúmes, que as coisas ficaram ainda mais confusas.
— Isso não vai dar certo, Lucas.
— Como assim?
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— Você tem uma vida, tem uma família, tem a mulher perfeita te esperando. E eu sou só eu. Uma mulher que nunca vai ser aceita nesse seu mundo. E nem por você.
— Não fala assim, Yasmin. Eu estou aqui porque eu gosto de você.
— Eu sei. Eu já te conheço muito bem, Lucas. Eu sinto, na verdade, que sempre te conheci. E eu sei que você gosta de mim. Mas eu sei que mesmo gostando, você nunca teria coragem de me assumir. No fim você vai fazer o que tem que fazer. Vai casar com a senhorita perfeição. E eu... eu vou acabar com o meu coração partido.
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Eu não respondi. Fiquei em silêncio, encarando o teto. A vida com Helena era a vida certa. A vida com Yasmin era a vida real. E era entre esses dois mundos que eu estava preso. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que escolher.
Era impossível continuar levando as duas vidas, como se fosse possível dividir meu coração.
A pressão da minha família só aumentava e a própria Helena já começava a esperar por algo mais sério, mais definitivo. Até então, nem namorando oficialmente nós estávamos porque eu tinha prometido para mim mesmo que eu não ia namorar e trair.
“A escolha está dentro de mim”
Mas, do outro lado, estava a Yasmin. A mulher que ninguém entenderia, que ninguém aceitaria. A mulher que não cabia no meu mundo, mas que, ao mesmo tempo, era o meu mundo. Com ela, eu descobri um amor que não se explica, um amor que machuca, que exige coragem, que põe tudo em risco. Um amor que eu já tinha desistido de conhecer.
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Eu deitava na cama e passava noites em claro. Pensava na Helena, na vida tranquila que poderia ter ao lado dela, nos filhos que meus pais tanto sonhavam em ver. Eu conseguia, de verdade, imaginar todo um futuro incrível do lado dela. E aí eu pensava na Yasmin. No olhar dela, na força que ela tinha, na garra, na personalidade forte, no beijo e no abraço que me faziam sentir vivo de verdade. Era um abismo. De um lado, a vida perfeita. Do outro, a vida verdadeira.
Entre o certo e o proibido. Entre o esperado e o improvável. Entre a promessa de uma vida tranquila e perfeita, e o caos de um amor que ninguém aceitaria. Esse é o lugar onde eu vivo hoje.
E talvez seja aí que esteja a grande questão: não se trata só de escolher uma mulher. Se trata de escolher quem eu vou ser...
O homem que segue o caminho seguro, o caminho que todos esperam, ou o homem que tem coragem de enfrentar o mundo por um amor que ninguém entende. O certo ou o verdadeiro. O perfeito ou o real.
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No fim, a escolha não está entre elas.
A escolha está dentro de mim. E só eu vou saber até onde eu tenho coragem de ir.
