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'Meu ex-marido não me larga e amo um homem casado que não me assume'

Forçada a conviver com o homem que não ama mais, ela se agarra às promessas de um amante que a quer, mas não o suficiente para assumi-la publicamente; veja no 'Quem Ama Não Esquece'

7 min

01/10/2025 19:07 • Atualizado há 304 dias

'Meu ex-marido não me larga e amo um homem casado que não me assume'

O que fazer quando o passado bate à porta com promessas e o presente se recusa a sair? Essa é a angústia de Lúcia, uma mulher dividida entre dois homens: Fábio, o amor casado que a trocou pela família, mas que jura amor eterno pelo telefone, e Josué, o ex-companheiro que ela não ama mais, mas que se nega a deixar sua casa. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quarta-feira (1).

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Existem amores que não nascem para durar. Eles chegam, acontecem, marcam, e depois precisam só ser guardados dentro no coração. São intensos, verdadeiros, mas impossíveis de sustentar. E talvez essa seja uma das maiores dores: sentir tudo, profundamente, e mesmo assim ter que aceitar que não cabe viver aquele amor. A minha história começou numa transportadora, onde eu trabalhava. Eu já era mãe de duas filhas e estava solteira. O dia a dia me colocava em contato com muitos caminhoneiros, e foi assim que eu conheci o Fábio. Um homem bonito, que me tirou o fôlego no instante em que o vi.

Foi paixão à primeira vista. Ele vivia puxando assunto, me elogiando e, aos poucos, nós fomos nos aproximando. Aquele clima foi crescendo e um dia rolou o nosso primeiro beijo.

Depois disso, a gente continuou se encontrando, cada vez mais envolvidos um com o outro, mas, apesar de ele nunca ter comentado nada, eu reparei no anel dourado que ele tinha no dedo.

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— Ah, isso aqui? É uma aliança.

— E por que você nunca me contou que é casado?

— Calma, calma... não é bem assim. Eu já estou em processo de divórcio.

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— E por que você ainda usa a aliança?

— Ah, porque eu acredito que eu só devo tirar quando a separação estiver no papel, entende?

Eu fingi que aceitava aquela explicação, mas, na verdade, era só uma forma de enganar o meu próprio coração, porque eu já tinha sentimentos por ele. Só que, lá no fundo, eu sabia o motivo real de ele ainda carregar aquela aliança no dedo.

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E a prova veio cinco meses depois, quando a esposa dele descobriu tudo.

"Eu amo a minha esposa"

— Eu... eu não te quero mais, Lucia.

— O que aconteceu?

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— Eu gosto de você, mas eu não te amo. Eu... eu amo a minha esposa.

— O que você está falando? Você não estava em processo de divórcio? Não foi isso o que você disse?

— Eu estava! Mas eu não estou mais. Eu a amo. Eu quero ficar com ela. E eu... eu não quero mais você na minha vida.

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Mais tarde, a verdade veio à tona... Eu descobri que o Fábio nunca esteve em processo de divórcio coisa nenhuma. A esposa dele tinha lido todas as nossas mensagens no celular dele e tinha ameaçado ir embora e levar a filha deles de 10 anos junto. Diante disso, com medo de nunca mais ver a própria filha, ele surtou, terminou tudo comigo e partiu o meu coração.

Eu realmente não esperava por aquilo. Eu já tinha me apegado de verdade e, de repente, fiquei sozinha, morrendo de saudade do beijo dele, do abraço, da presença... Eu sofri como se fosse o meu primeiro amor se desfazendo.

Mas como o tempo ameniza tudo, depois de muitas lágrimas, eu segui em frente.

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Uma loucura para esquecer um amor

Depois de um tempo, eu conheci uma nova pessoa. O Josué era um novo funcionário da transportadora. A nossa aproximação aconteceu rápido demais e, em pouco tempo, não era só amizade... Entre uma conversa e outra, eu descobri que ele vivia dentro de um caminhão, sem ter para onde ir. Naquela altura, eu já tinha entregado o meu coração machucado para ele e, em apenas dez dias, eu fiz a loucura de chamá-lo para morar comigo e minhas filhas.

Mas quando o Fábio soube disso...

— Você perdeu o juízo?

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— Por que você está falando isso?

— Como você pode colocar outro homem dentro da sua casa? Faz tão pouco tempo que a gente terminou! Tira esse sujeito daí agora mesmo, Lucia.

— Mas era só o que me faltava mesmo. Eu não vou tirar nada. Eu e você não temos mais nada, Fábio. O Josué me ajudou quando você me magoou. Além disso, eu já até apresentei ele para as minhas filhas, e elas o adoraram!

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— Lúcia, para de brincadeira. Eu te amo... eu te amo! Esse cara nunca vai te fazer feliz.

Mesmo assim, eu continuei com o Josué. Naquele momento, ele era tudo o que eu precisava. Ele tinha tirado aquela tristeza, aquele sofrimento do meu peito e tinha se tornado um bom marido. Eu só não podia imaginar o que ia acontecer depois...

O fim de um relacionamento sem vida

Seis anos depois, o nosso relacionamento já não tinha mais vida, e as coisas foram esfriando entre a gente.

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O Josué trabalhava como caminhoneiro e passava dias e mais dias fora de casa. Quando voltava, só queria ficar dormindo. A gente não curtia mais nada juntos. Fora que nem com as obrigações da casa ele queria ajudar. Aos poucos, eu percebi que não tinha mais ao meu lado um companheiro, só um homem que ocupava lugar dentro da minha casa.

O sentimento por ele acabou e, uma hora, eu pedi que ele fosse embora definitivamente.

Mas... mas ele não sai. Ele simplesmente não vai embora da minha casa.

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Nossa vida é uma farsa! Ele passa alguns dias em casa e o resto do tempo desaparecido na estrada. E isso, junto com o fato de que não tem mais amor, faz com que, para mim, eu viva uma vida de solteira. Mesmo que ele ainda esteja aqui.

Promessas vazias ao telefone

Foi nesse vazio em que eu me encontro que o Fábio reapareceu. Agora, de tempos em tempos, ele me liga se declarando.

Enquanto o Josué se afastou e acabou com o nosso relacionamento, o Fábio voltou e me lembrou que existem amores que não nasceram para serem vividos, mas apenas sentidos. Amores que deixam marcas profundas, mesmo quando a vida segue caminhos diferentes.

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— Oi, meu amor! Amor da minha vida! Como você está?

— Amor da sua vida? E a sua esposa? É o quê?

— Infelizmente, eu só posso me separar quando a minha filha crescer ou... ou se eu me tornar viúvo. Mas não duvida do que eu digo: eu estou morto de saudade de você.

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— Sei...

— E aquele cara? Já foi embora?

— Nós não estamos mais juntos, mas ele ainda mora comigo.

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— Eu avisei! Eu sempre disse que ele não ia te fazer feliz. Eu sabia...

Eu não sei se a esposa dele sabe dessas nossas conversas. Afinal, a cada dois meses, ele reaparece com uma ligação inesperada, sempre encontrando uma forma de se declarar e promete que um dia estará livre para me encontrar. Para ser sincera, são promessas que mexem comigo e com o meu coração. É como se fosse um fio de esperança. Mas, no fundo, eu me pergunto se essa espera realmente um dia terá algum fim.

É... Talvez a nossa história seja só um daqueles amores que não nasceram para serem vividos, mas sim para serem guardados na alma. Eu não sei se o destino nos permitirá ficar juntos, mas uma coisa é certa: a conexão que nós temos sempre foi forte demais para ser ignorada. E, mesmo com o tempo, o sentimento permanece aqui, forte, intacto, silencioso, mas vivo.

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Hoje, eu tento não me prender mais a esperas. A minha vida é minha, e eu sigo meu próprio caminho. Eu não dependo das promessas do Fábio nem do apego do Josué. Eu aprendi que o melhor a fazer é me libertar, deixar a vida me conduzir e viver o agora. O futuro é incerto, e prefiro construí-lo com minhas próprias mãos, de acordo com meus desejos e escolhas.

No fim, eu percebi que a vida nem sempre nos dá finais perfeitos. Alguns amores não são feitos para serem vividos plenamente, e outros nos ensinam apenas a sentir. Mas existe algo que nós podemos controlar: a forma como nós escolhemos viver.

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