Corinthians

Entenda a crise que ameaça a hegemonia do Corinthians no futebol feminino

Atletas cobram presidente por direitos de imagem e clube enfrenta bloqueio de premiações pela Caixa

3 min

02/09/2026 14:06 • Atualizado há 21 dias

Entenda a crise que ameaça a hegemonia do Corinthians no futebol feminino

Heptacampeão brasileiro e hexacampeão da Libertadores, o Corinthians vive uma crise financeira e institucional nos bastidores que ameaça seu domínio histórico no futebol feminino. Reativada em 2016, a equipe lida com atrasos em pagamentos e cobranças diretas da comissão e atletas à diretoria alvinegra.

Continua depois da publicidade

Na última semana, o elenco esteve no Parque São Jorge em reunião com o presidente Osmar Stábile para cobrar direitos de imagem atrasados referentes aos meses de junho e julho, além de maior presença na rotina do time. A diretoria quitou um mês de pendência na sexta-feira (28) e prometeu acertar o restante nesta semana. O clube também deve premiações da Libertadores de 2025, da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026 — torneios em que foi vice-campeão —, sem prazo definido para quitar os valores.

A meia-atacante Vic Albuquerque comentou a situação após a vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro nas quartas de final da Copa do Brasil:

"Antes de atletas, nós somos seres humanos, temos família, temos que sustentar nossa casa. É difícil se concentrar 100% quando a gente está muito estressado. É muito importante que esteja tudo bem nos bastidores para a gente conseguir desempenhar 100%", desabafou a jogadora.

Retenção da Caixa e queda de rendimento em campo

A dificuldade para manter os compromissos passa pelo acordo firmado com a Caixa Econômica Federal em 2022, na gestão de Duilio Monteiro Alves, para renegociar a dívida da Neo Química Arena. O contrato prevê a retenção de 50% de todas as premiações por conquistas esportivas do clube.

Continua depois da publicidade

Pioneiro na modalidade — a ponto de projetar a ex-diretora Cris Gambaré como coordenadora da Seleção Brasileira e o técnico Arthur Elias (vencedor de 14 títulos no clube entre 2018 e 2023) à equipe nacional —, o Corinthians vê os rivais encurtarem a distância:

  • Brasileirão Feminino: Campeão de sete das últimas oito edições, o time perdeu a liderança da competição para o São Paulo (41 a 38 pontos).
  • Paulistão: No fim do ano passado, sofreu 4 a 0 para o Palmeiras no jogo de ida da final — a pior derrota em Dérbis desde 2016 — e ficou com o vice-campeonato após vencer a volta por apenas 1 a 0.

Multa no STJD e inquérito por patrocínio

Mesmo atraindo patrocinadores próprios, como a marca de água de coco MOÃ e a de cosméticos Vizzela, o departamento feminino acumula atritos extracampo. A exibição de um hidratante labial da Vizzela pela zagueira Thaís Regina na transmissão contra o Santos, em 9 de agosto, gerou multa de R$ 10 mil aplicada ao clube pelo STJD.

Além disso, o patrocínio da Fatal Fans, empresa de conteúdo adulto instalada no uniforme do futebol masculino e feminino, virou alvo de inquérito no Ministério Público de São Paulo. O órgão apura se o acordo viola direitos de crianças e adolescentes ao expor a marca em TV aberta. O clube informou que o patrocinador contribuiu nos custos para a renovação da atacante colombiana Gisela Robledo até 31 de agosto de 2027.

Continua depois da publicidade

Com informações do Estadão Conteúdo.

Entenda a crise que ameaça a hegemonia do Corinthians no futebol feminino