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Ex-São Paulo viveu tensão na Ucrânia e realiza sonho na Champions

Newerton, de 21 anos, passou pelas categorias de base de Sport e São Paulo, mas deixou o Brasil sem jogar profissionalmente. A estreia entre os “adultos”

4 min

10/09/2026 07:00 • Atualizado há 14 dias

Ex-São Paulo viveu tensão na Ucrânia e realiza sonho na Champions

Newerton, de 21 anos, passou pelas categorias de base de Sport e São Paulo, mas deixou o Brasil sem jogar profissionalmente. A estreia entre os “adultos” aconteceu pelo Shakhtar, da Ucrânia, onde desde 2023 vive o sonho de entrar em campo nos principais estádios do futebol europeu.

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Em três anos, são 13 gols e três assistências do ponta brasileiro em 82 partidas disputadas. Uma das mais especiais foi justamente quando ouviu o hino da Liga dos Campeões da Europa pela primeira vez. Apesar da derrota por 1 a 0 para o Barcelona, o garoto nascido em Palmares, em Pernambuco, chamou a atenção do mundo naquele dia 25 de outubro de 2023.

“Aquele dia foi mágico, não vai sair da minha história. Troquei a camisa com o Cancelo, que é um grande jogador. Botei essa camisa guardadinha em um quadro lá na parede da minha casa. Eu era muito novo, na Champions com 18 anos, aquele frio na barriga, ainda contra o Barcelona e fazendo aquele gol, mas infelizmente estava impedido”, conta à Band.

Agora, Newerton terá mais uma vez a oportunidade de disputar a competição mais charmosa do futebol mundial. O Shakhtar estreia nesta quinta (10) contra o PSV, na Holanda. Para ir longe, a equipe ucraniana aposta no DNA canarinho, com 15 brasileiros no elenco.

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“O Shakhtar tem o DNA de jogadores brasileiros, sabem que a gente é sempre agressivo, é sempre no um contra um. A gente é sempre na base do contra-ataque, de drible e criatividade. Temos um time muito qualificado. Chegou bastante jogador pra nos ajudar, estamos ainda nos adaptando a eles, porque chegaram agora e precisam de algumas adaptações. Mas temos grande oportunidade de chegar longe nessa Champions”, continua.

Os brasileiros são tantos no elenco que até mesmo os ucranianos se arriscam no português: “Faz muita diferença ter brasileiro no time. O português acaba pegando até pros ucranianos, eles aprendem algumas palavras”.

A vida em meio à guerra na Ucrânia

Apesar do convívio com compatriotas e da oportunidade de jogar a Liga dos Campeões, nem tudo são flores na Ucrânia. O país vive momentos de guerra e é alvo frequente de ataques da Rússia. Um deles aconteceu perto da casa de Newerton.

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“Quando a gente morava na capital, caiu uma bomba atrás do meu prédio antes de eu ir pro treino. Acho que eram 9h manhã, foi de manhãzinha. Eu tinha me levantado pra tomar café e caiu uma bomba atrás do meu prédio. Mas a rotina segue, porque a gente sabe que pode acontecer a qualquer momento”, explica.

O cenário de guerra faz com que o Shakhtar tenha que mandar seus jogos da Liga dos Campeões no Stamford Brigde, estádio do Chelsea. A mudança, obviamente, não agrada os jogadores.

“Todos sabem que não é bom. É um grande estádio, cada jogador tem um sonho e acho que seria um sonho também jogar num estádio do Chelsea, mas claro que a gente queria jogar na Ucrânia. Mas não podemos pela situação que o país vive. A diretoria e o staff do Shakhtar dão todo o suporte para nós, fazem o possível para que a gente se sinta confortável”, conta.

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Infância e saída do São Paulo

Essa, porém, está longe de ser a primeira dificuldade enfrentada na vida de Newerton. Para se tornar jogador de futebol, o garoto precisou batalhar muito, além de ter contado com uma ajuda que guarda com carinho até hoje.

“Tive algumas dificuldades em relação aos treinos, porque a minha cidade fica um pouquinho longe do Recife e a gente não tinha bastante condições de gastar com gasolina, etc. Acabei me afastando. Depois, o pessoal do Sport me ligou e o Pedro, que é o pai de um menino que jogava comigo lá, me chamou pra ir morar com eles, porque ele sabia das minhas condições. Aí morei com a família dele”, recorda.

Com o apoio recebido, o atacante se firmou no futsal do Sport e, posteriormente, fez a transição para o campo. O destaque no Leão da Ilha o levou ao São Paulo, onde ficou até os 18 anos.

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Mesmo com a expectativa do torcedor e com o tratamento de joia, Newerton deixou o clube do Morumbi sem atuar profissionalmente. Até hoje, ele busca respostas para a falta de oportunidades.

“Também não entendo, mas eu estava sempre treinando bem, dando o meu máximo. Algumas páginas inventam histórias, outras dizem que é outra, e sempre é isso. Mas ninguém sabe também a verdade. Meu pai é são-paulino, eu sou de Pernambuco, mas meu pai sempre foi são-paulino, e foi do destino a gente ter ido pro São Paulo. E eu sempre quis realizar esse sonho dele de poder jogar no profissional de São Paulo”, diz o ponta.

Sem oportunidades, apostou no sonho de jogar a Liga dos Campeões e aceitou a proposta do Shakhtar. Apesar de totalmente adaptado à Ucrânia, Newerton não descarta uma volta ao Brasil, embora não seja sua preferência.

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“Nunca chegou proposta oficial do Brasil, não. Pode ser que tenha chegado sondagem, mas proposta oficial não. No momento, não é o que eu quero, mas a vida não é feita das nossas escolhas. Pode ser que aconteça, pode ser que não”, completa.

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