A reação de Angela Merkel diante do avanço da extrema direita na Alemanha
Semanas antes de vitória no leste do país, ex-chanceler pediu "coragem para defender a democracia"

Há uma semana, a ex-chanceler federal da Alemanha Angela Merkel pediu "coragem para defender a democracia" durante um evento em Berlim. A fala foi direcionada às projeções que colocaram o partido de extrema direita na liderança das eleições do leste europeu. A eleição do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) foi confirmada neste domingo (6).
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O partido obteve votação recorde de 43,8% dos votos nas eleições do estado da Saxônia-Anhalt, ao leste do país, segundo uma parcial de autoridades locais. Se confirmada no resultado final, essa será a maior votação proporcional já recebida num estado alemão por uma legenda tão à direita como a AfD desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O partido venceu a eleição muito a frente de outras siglas, em especial a do atual chanceler federal Friedrich Merz, a União Democrata-Cristã (CDU), que recebeu apenas 17,2% dos votos. O número representa uma queda de 20 pontos em comparação à última eleição, em 2021.
O aviso de Merkel antes de vitória da extrema direita alemã
A fala da ex-chanceler foi realizada no último dia 29, a uma semana das eleições estaduais. "Acredito que agora, mais uma vez, algo que não precisávamos fazer há muitas décadas: devemos realmente lutar com firmeza por esta democracia, simplesmente defendê-la, ter um pouco de coragem, honrar a nossa palavra e dizer que esta é uma maneira maravilhosa de viver", disse na ocasião.
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A imprensa alemã definiu o posicionamento de Merkel como uma intervenção rara em assuntos políticos da Alemanha desde que deixou o governo, em dezembro de 2021. Merkel liderou o país por 16 anos.
No encontro, Merkel falou abertamente que sua fala era direcionada ao avanço da AfD. Até então, a sigla tinha uma projeção de 40% das intenções de voto em pesquisas eleitorais no estado de Saxônia-Anhalt, região onde a ex-chanceler nasceu.
Segundo ela, a AfD não angaria votos nacionalmente, mas tem força em regiões que compõem a Alemanha Oriental. A preocupação de Merkel está na possibilidade de o partido passar a ganhar mais força política na Alemanha Ocidental. A ex-chanceler definiu o partido como "um fenômeno que atinge toda a Alemanha" e disse que a digla conseguiu "dominar todas as nossas conversas, da manhã à noite".
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Merkel já havia se posicionado outras vezes com preocupação diante do aumento de intenções de votos na AfD. Em outra fala pública, realizada em maio, ela defendeu que outros partidos definissem melhores maneiras de se diferenciar da AfD e falar mais claramente sobre o que eles próprios propõem e desejam para o futuro da Alemanha.
Mesmo com recorde de votos, posse da AfD é incerta
Apesar do tom triunfal da vitória da AfD, o número de votos mantém em aberto a possibilidade do partido de ultradireita efetivamente governar Saxônia-Anhalt.
Devido ao sistema parlamentarista, partidos que conquistam mais da metade dos assentos no parlamento local consegue o posto de governador. Contudo, partidos precisam fazer coalizões para governas, tarefa historicamente difícil para a AfD.
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A atuação do partido de extrema-direita costuma ser isolada. Coligações tradicionais mantém a distância e não aceitam cooperar com a AfD. Neste domingo, a CDU reconheceu a vitória da AfD, mas afirmou que não formará aliança com os ultradireitistas.
Mesmo com a votação histórica, os resultados demonstram que a AfD não deve conseguir o necessário para tornar-se maioria isolada no parlamento estadual. Além da CDU, o partido A Esquerda teve 8,6% dos votos. O Partido Social-Democrata (SPD), 9,3%. Os Verdes, 8,9%. Por fim, a legenda de esquerda populista BSW conseguiu 5,3%, ultrapassando por pouco a cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento. O Partido Liberal-Democrático (FDP, na sigla em alemão), angariou somente 2,6% e ficou fora do Parlamento.
