Trump envia representantes a Moscou para tentar encerrar guerra na Ucrânia
Durante retomada das negociações, os líderes dos dois países concordaram em um cessar-fogo de 72 horas

Numa tentativa de reativar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou dois representantes à Moscou neste sábado (5). A visita antecede uma viagem programada a Kiev, no domingo (6), para apresentar uma nova proposta de paz delineada pela administração Trump.
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Como sinal de preparação para a deslocação dos diplomatas a Kiev, o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma pausa de 72 horas nos ataques aéreos contra a capital ucraniana, com início à meia-noite de sábado, segundo a agência Reuters. O Kremlin confirmou a ordem, associando a decisão diretamente à segurança do itinerário dos enviados.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky anunciou que também suspenderá os seus ataques aéreos contra Moscovo durante o período da visita --de sábado a segunda-feira (7). Zelensky garantiu a segurança do espaço aéreo para a delegação e instou a Rússia a fazer o mesmo.
No entanto, o clima de trégua foi precedido por uma escalada de agressões aéreas bilaterais. Poucas horas antes da chegada dos emissários, ataques russos atingiram os aeroportos de Kyiv e Boryspil, o que Zelensky classificou como uma "reação demonstrativa" de Moscou à possibilidade de a delegação norte-americana utilizar um avião para viajar para a Ucrânia.
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Além disso, um drone russo atingiu pela primeira vez a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) em Kiev, e bombardeamentos russos na região de Dnipro deixaram mortos.
Negociações complexas e sem "novas ideias"
Embora Donald Trump tenha afirmado na sexta-feira (4) possuir uma "ideia para a paz" e demonstrado otimismo quanto à possibilidade de um acordo, a iniciativa é recebida com cautela pelas partes envolvidas. O porta-voz russo Dmitry Peskov confirmou que os representares norte-americanos vão se encontrar com Vladimir Putin, mas alertou que "não se fala de novas ideias" para solucionar o conflito por parte do Kremlin.
Esta missão marca a primeira vez que os norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner visitam Kiev. No entanto, ambos já estiveram em Moscou anteriormente. Em encontros prévios, reuniram-se com Vladimir Putin para discutir caminhos para a resolução do conflito, mas as conversações anteriores acabaram por não resultar num avanço substancial.
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O impacto da guerra com o Irã
Os esforços de paz liderados por Washington estiveram estagnados nos últimos meses, em grande parte devido ao fato de a atenção dos EUA ter estado concentrada, no último semestre, na sua guerra com o Irã --um conflito iniciado em fevereiro de 2026.
Agora, com o retorno do canal diplomático na Europa, os negociadores enfrentam barreiras estruturais severas. Embora os EUA, a Ucrânia e a Rússia tenham sugerido no ano passado que um acordo poderia estar perto após rodadas de conversações mediadas pelos EUA, divergências cruciais persistem, particularmente em questões territoriais e nas garantias de segurança para a Ucrânia.
Zelensky sublinhou que o objetivo imediato destas conversações em Kiev é encontrar "opções reais para encaminhar esta guerra para o fim", reiterando que não haverá ameaças à diplomacia por parte das forças ucranianas.
