Dia do Amante: fetiches redefinem conceitos de traição e relacionamento
Celebrado no dia 22 de setembro, o Dia do Amante surge como uma data tradicionalmente associada à infidelidade e a relacionamentos mantidos em segredo.

Celebrado no dia 22 de setembro, o Dia do Amante surge como uma data tradicionalmente associada à infidelidade e a relacionamentos mantidos em segredo. Contudo, a presença de uma terceira pessoa no relacionamento nem sempre ocorre de forma oculta. Quando há conhecimento, desejo e consentimento de todas as partes envolvidas, a dinâmica ganha novos contornos e desafia os conceitos mais tradicionais de fidelidade.
Continua depois da publicidade
Esse cenário dá espaço, por exemplo, para discussões sobre o cuckold, uma prática na qual uma pessoa sente excitação ao ver, imaginar ou presenciar o envolvimento sexual de seu parceiro ou parceira com outra pessoa.
A questão é abordada pelo Gleeden, plataforma de encontros sem compromisso da América Latina. De acordo com a terapeuta sexual e embaixadora do aplicativo no Brasil, Thaís Plaza, a diferença fundamental entre a traição e a fantasia está nos combinados estabelecidos dentro da relação.
"Uma infidelidade não é simplesmente a presença de uma terceira pessoa. Precisamos observar os acordos daquela relação. Quando existe consentimento para determinada experiência, estamos falando de uma dinâmica completamente diferente de descobrir que um acordo de exclusividade foi rompido às escondidas", explica a especialista.
Continua depois da publicidade
O tema ainda gera estranhamento social por questionar a associação cultural de que a presença de outra pessoa necessariamente representa quebra de confiança. No universo cuckold, a terceira pessoa faz parte da própria fantasia, cujas motivações variam entre voyeurismo, o prazer de perceber o parceiro desejado, ciúmes, transgressão e novos jogos eróticos.
Levantamentos do Gleeden revelam a dimensão do tema no Brasil: em uma pesquisa sobre cuckolding, 36% dos entrevistados disseram que gostariam de ver seu parceiro com outra pessoa, enquanto 60% aceitariam estar com outra pessoa enquanto o parceiro observa. Além disso, 91% consideraram que, havendo consentimento, a inclusão de uma terceira pessoa não configura infidelidade.
Exposição do tema, limites do casal e dinâmica das relações
A especialista Thaís Plaza reforça que desejar ou fantasiar não significa necessariamente a obrigação de praticar. "Uma pessoa pode se excitar com uma fantasia durante anos e nunca desejar colocá-la em prática. Para quem decide experimentar, o ponto central deve ser o consentimento genuíno, a comunicação e a possibilidade de interromper ou renegociar os acordos a qualquer momento", ressalta.
Continua depois da publicidade
Ela alerta ainda que aceitar práticas por pressão, medo de término ou para demonstrar uma postura aberta não constitui um consentimento livre.
A discussão acompanha transformações mais amplas sobre não monogamia e fidelidade. Dados do aplicativo apontam que 53% dos brasileiros entrevistados afirmaram já ter vivido algum tipo de relacionamento não monogâmico, enquanto 42% veem o modelo de forma positiva.
Para a terapeuta sexual, o cenário sinaliza uma maior disposição para criar regras personalizadas.
Continua depois da publicidade
"Não existe um modelo afetivo-sexual que funcione para todo mundo. Há pessoas plenamente felizes na monogamia e outras que constroem acordos diferentes. O problema começa quando presumimos que a outra pessoa conhece uma regra sobre a qual nunca conversamos. Os relacionamentos precisam de acordos, e os acordos precisam de diálogo", conclui.
