Ateliê que deu golpe em mais de 300 noivas recebe ordem de despejo em SP
Dona da loja afirma que sofreu golpe de R$ 1 milhão de uma ex-funcionária

O ateliê de alta costura My Vintage Dress, centro de uma investigação criminal pelo alegado golpe a cerca de 300 noivas, enfrenta agora uma ação de despejo por incumprimento contratual na Zona Oeste de São Paulo. A batalha judicial coincide com o depoimento da proprietária da marca, Camila Rossi, que se defendeu das acusações de estelionato alegando ter sido vítima de um desvio de R$ 1 milhão por uma ex-funcionária.
Continua depois da publicidade
A ação de despejo, revelada por documentos exclusivos, foca-se especificamente no imóvel localizado no Alto de Pinheiros, espaço que servia de ateliê para que as costureiras confeccionassem e ajustassem os vestidos diretamente no corpo das noivas.
De acordo com o processo judicial, a proprietária não pagava IPTU do imóvel desde abril. O contrato estabelecia que este imposto deveria ser liquidado até setembro. Além da dívida fiscal, a empresária não realizou as obras de reparação e manutenção na casa de costura a que se tinha comprometido contratualmente.
A operação da marca dividia-se em dois pontos da Zona Oeste: a loja de exposição (showroom) na Vila Madalena, e o ateliê de produção no Alto de Pinheiros, sendo este último o único visado pela ordem de despejo.
Continua depois da publicidade
Linha de defesa: o desvio de R$ 1 milhão
Ao apresentar-se na delegacia de polícia para prestar declarações, Camila Rossi tentou afastar a responsabilidade pelo encerramento repentino da atividade. A empresária justificou o colapso financeiro da empresa com um alegado furto de R$ 1 milhão perpetrado por uma funcionária do próprio ateliê.
Contudo, as autoridades policiais mantêm a investigação por estelionato ativa. Segundo o delegado responsável, a proprietária terá agora de apresentar provas documentais e financeiras robustas que sustentem a acusação contra a funcionária, enquanto o processo relativo às noivas lesadas continua a acumular denúncias.
O despejo e a crise financeira expõem a derrocada de um negócio que deixou um rasto de centenas de casamentos afetados. O caso ganhou notoriedade quando duas noivas se viram impedidas de levar seus vestidos nas datas agendadas para as cerimônias. Perante o silêncio da loja, recorreram às redes sociais, o que gerou uma onda de denúncias de outras clientes que descobriram que o ateliê tinha fechado as portas sem aviso prévio.
