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Operação mira diretor do Banco Genial e empresário citado no caso Master

Objetivo é apurar suspeitas de lavagem de dinheiro na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país

4 min

24/09/2026 09:05 • Atualizado há 1 hora

Operação mira diretor do Banco Genial e empresário citado no caso Master

O diretor e sócio do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24). A ação da Receita Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de lavagem de dinheiro na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

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Em nota, o Banco Genial informou que Humberto não integra a diretoria nem o quadro de sócios desde maio de 2026, quando foi destituído. A instituição afirmou que forneceu informações às autoridades e que observou as normas aplicáveis às operações.

A relação de alvos inclui também André Tupinambá e Antonio Carlos Freixo Júnior, também citado no caso Banco Master. Entre as empresas listadas estão a Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, a Berna Holdings, a Branson Holdings, a Entre Investimentos e Participações e a EntrePay Instituição de Pagamento.

Também constam a AT Assessoria e a BT Assessoria, associadas, respectivamente, aos nomes de André e Bruno Tupinambá na relação de alvos.

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Segundo o comunicado da Receita Federal, são cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A lista de buscas inclui um endereço ligado a Humberto no Rio de Janeiro e imóveis vinculados a André em São Paulo e Itajaí (SC).

Segundo a investigação, uma empresa financeira utilizada na aquisição simulada de uma usina sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. A usina, localizada no interior paulista, teria sido usada posteriormente para viabilizar a compra da distribuidora.

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Os investigadores apontam que o esquema foi estruturado em etapas. Primeiro, fundos de investimento e empresas teriam sido usados para esconder os verdadeiros donos da usina. Depois, outro operador financeiro, ligado a fintechs e outras companhias, teria criado novas camadas de ocultação do controle do negócio.

Uma das transações sob suspeita envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina, ou seja, valores que a empresa tinha a receber. Segundo a apuração, a compra desses créditos foi feita mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento.

Parte relevante do dinheiro usado na aquisição das cotas teria vindo de fundos controlados pelo mesmo grupo investigado. Essa estrutura, de acordo com os investigadores, criou um fluxo circular de recursos para dar aparência de legitimidade à operação e dificultar a identificação dos beneficiários.

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Para financiar a compra da distribuidora, a usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa. Antes de chegar à empresa, os recursos passaram, em poucos minutos, por contas de três companhias do grupo, em movimentações ocultadas por contas concentradoras de fintechs, segundo os investigadores.

O dinheiro teria sido transferido a um fundo de investimento criado para o negócio e aplicado em um Certificado de Depósito Bancário (CDB). Em uma operação vinculada, o banco teria usado os recursos para conceder crédito a duas empresas de fachada, empregadas na aquisição da distribuidora.

A investigação também aponta o uso de empresas patrimoniais e fundos imobiliários para manter imóveis sob o controle econômico do grupo sem que os bens aparecessem diretamente em nome dos investigados. A estrutura serviria para proteger o patrimônio e dificultar o rastreamento dos verdadeiros proprietários.

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Além da Receita e do Gaeco, participam da operação a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, além das polícias Civil e Militar. A ação tem apoio dos Gaecos dos outros seis estados.

No posicionamento sobre as operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings, o Genial afirmou que forneceu ao Gaeco-SP todas as informações que estavam em seu poder. O banco disse também que fez as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A instituição sustentou que atuou dentro de suas atribuições e observou os procedimentos, as normas e os regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à época.

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O Genial informou ainda que instaurou um processo de inspetoria interna, revisou a governança das operações de crédito e contou com especialistas externos para aprimorar seus controles. Segundo o banco, Humberto foi afastado dos processos decisórios antes de ser destituído.

Após a deflagração da Carbono Oculto, a instituição afirma ter renunciado à administração do Fundo Radford. O Genial declarou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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