Ex-diretor da Fazenda de SP é preso por suspeita de fraude de R$ 3 bilhões
Operação Caldarium, deflagrada pelo Gaeco, desarticula esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e créditos indevidos de

O ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária de São Paulo, André Weiss, foi preso na manhã de quinta-feira (3), em Piracicaba (SP), durante a deflagração da Operação Caldarium.
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A ação visa desmantelar um grupo criminoso especializado em corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes tributárias estruturadas a partir de créditos indevidos de ICMS. Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de busca e apreensão domiciliar e um mandado de prisão.
A operação foi conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Piracicaba, e com o apoio operacional do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (10º BAEP).
Apreensões em condomínio de luxo e dinheiro em espécie

Operação Caldarium mira fraudes tributárias e corrupção em Piracicaba
Crédito: Foto/MPSP
A ofensiva policial teve início por volta das 6h da manhã em uma residência de alto padrão localizada no Condomínio Residencial Reserva do Engenho, em Piracicaba. O investigado foi cientificado da decisão judicial e franqueou o acesso das equipes de segurança ao local. A busca domiciliar foi acompanhada por representantes do MPSP e pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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No local, os agentes apreenderam:
- 01 aparelho celular
- 02 notebooks e 02 pen drives
- 01 iPad
- 05 pastas com documentos diversos
- 1.400 euros e 862 dólares em espécie
Um veículo de luxo Porsche Macan, que se encontrava estacionado na garagem da residência, também foi alvo de busca minuciosa pelas equipes, mas nenhum material ilícito foi encontrado em seu interior. Toda a operação de busca foi registrada em tempo real por meio de Câmeras Operacionais Portáteis (COP) acopladas ao uniforme dos policiais.
Desvios bilionários e servidores afastados
Em manifestação oficial, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz) revelou que trabalha em conjunto com o Ministério Público na apuração rigorosa desses desvios desde agosto de 2025, época em que foi deflagrada a Operação Ícaro.
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Essa cooperação e as investigações internas da pasta já resultaram na demissão de cinco envolvidos, na exoneração de um servidor e no afastamento de outros 17 funcionários públicos sem remuneração. Atualmente, a Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp) investiga 45 auditores fiscais, contingente que engloba todos os envolvidos na operação deflagrada nesta quinta-feira.
O impacto financeiro do esquema é bilionário: as autuações específicas aplicadas às empresas envolvidas já acumulam a constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros. Além das sanções fiscais, as companhias participantes estão sujeitas a responsabilizações adicionais conduzidas pela Controladoria Geral do Estado (CGE-SP), com base nas diretrizes da Lei Anticorrupção.
Reformulação tributária para conter fraudes
Com o intuito de estancar a prática de desvios, a Sefaz informou que promoveu uma profunda revisão em seus processos de ressarcimento de créditos fiscais. A principal medida corretiva adotada foi o fim sistemático do regime de substituição tributária, apontado como a principal fonte de complexidade explorada pelas fraudes.
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Até o momento, a pasta retirou mais de 62% dos produtos desse regime, simplificando a tributação e encerrando o ciclo de ressarcimentos indevidos. Paralelamente, a Sefaz passou a adotar malhas fiscais monitoradas por inteligência artificial e estruturou um sistema próprio de mapeamento para blindar o fluxo de créditos do ICMS contra futuras irregularidades. O Comando de Policiamento do Interior-9 (CPI-9), ao qual o 10º BAEP é subordinado, ressaltou que a atuação conjunta e integrada com os órgãos de persecução penal é vital para combater o crime organizado e asfixiar financeiramente as quadrilhas na região.
