Polícia investiga ligação de atletas com tráfico de drogas no ES
A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a aproximação entre jogadores profissionais de futebol e integrantes de organizações criminosas em atuação no

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a aproximação entre jogadores profissionais de futebol e integrantes de organizações criminosas em atuação no Espírito Santo. As apurações avançaram após a apreensão de um aparelho telefônico durante uma tentativa de homicídio, abrindo caminho para os desdobramentos da operação "A Tropa".
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Entre os nomes que constam nos registros obtidos pelas autoridades está David Correia, conhecido esportivamente como ODVD do Vasco, apontado pelos agentes como o principal investigado no inquérito.
O avanço das investigações ocorreu a partir da perícia no conteúdo armazenado no dispositivo apreendido. No material periciado, os investigadores encontraram mensagens frequentes trocadas entre o atleta e seu ex-empresário, Edson Wander da Silva Junior, acusado de atuar como mandante do atentado contra a vida de um desafeto.
Os relatórios policiais indicam que as mensagens tratavam de ações violentas e emboscadas na região. Em uma das conversas transcritas pela corporação, o ex-agente avisa diretamente o jogador sobre o andamento do crime: "só atualizando aqui aquele que falamos ontem, pegamos ele".
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Ao ser informado de que a pessoa havia sido alvejada por disparos, o atacante reage sobre a motivação da ação armada. "Mereceu tomar um tiros mesmo?", escreveu David em retorno ao ex-empresário durante a troca de mensagens analisada pela equipe técnica.
Em outro momento do diálogo, o ex-agente encaminha a fotografia de uma arma para o jogador. Na sequência, o atleta afirma que "tem que matar um para ver qual é outro envolvido nos", manifestação que chamou a atenção das forças de segurança pelo teor de confronto explícito.
Os relatórios da corporação apontam que as conversas também mencionam outras pessoas próximas aos atletas. O inquérito cita Juan de Freitas, vítima de sequestro que, de acordo com os policiais, mantinha laços de amizade com David e com Hayner, atleta com vínculo com o Vila Nova de Goiás.
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Assim como o atacante do clube carioca, Hayner também figura como alvo formal da operação policial. Os investigadores apuram o alcance da convivência e a natureza do contato mantido entre os dois atletas e os investigados do esquema criminoso.
Outro trecho do material interceptado expõe a participação de um homem identificado como Luan. Nas mensagens, ele pede a Edson que consiga auxílio financeiro com David para negociar um automóvel, transação considerada suspeita pelo setor de inteligência da polícia.
Os policiais ressaltam que os dois jogadores foram incluídos nas apurações principalmente pela suspeita de suporte econômico à quadrilha. A linha de trabalho busca esclarecer se os atletas realizaram transações financeiras para movimentar ou blindar recursos ligados ao tráfico de entorpecentes.
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Com base nos elementos reunidos na perícia telefônica, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os atletas. Os policiais recolheram documentos e equipamentos eletrônicos para subsidiar a continuidade das análises bancárias e telemáticas.
Alvos das medidas judiciais, os jogadores negam qualquer participação em atividades ilícitas ou ligação intencional com membros de facções criminosas. As defesas afirmam que não existem atos criminosos cometidos pelos esportistas no processo em andamento.
A investigação aponta, contudo, que os registros do celular revelam conexão direta entre os atletas e indivíduos do tráfico local. O inquérito reúne inclusive registros fotográficos dos executores do chefe do tráfico de Serra Dourada, área conflagrada por disputas armadas territoriais.
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Outros diálogos e dados confidenciais trocados entre jogadores e membros de facções permanecem sob sigilo judicial. A Polícia Civil dá andamento às oitivas e ao rastreamento das movimentações financeiras antes de concluir o relatório final do caso.
