Espécies invasoras avançam no litoral do Paraná e preocupam pesquisadores
O litoral do Paraná concentra uma das áreas de maior riqueza ambiental do país. Mas, sob as águas da costa, uma ameaça silenciosa tem chamado a atenção de

O litoral do Paraná concentra uma das áreas de maior riqueza ambiental do país. Mas, sob as águas da costa, uma ameaça silenciosa tem chamado a atenção de pesquisadores: a chegada e a proliferação de espécies exóticas invasoras.
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Siris, ostras e mexilhões que não fazem parte naturalmente desse ecossistema estão se espalhando pela região e podem provocar impactos na biodiversidade, na pesca e nas atividades econômicas das comunidades caiçaras.
É o caso do siri-capeta, da ostra-de-capuz e do mexilhão-verde. Esses organismos podem chegar à costa de diferentes formas, inclusive associados ao intenso tráfego marítimo. Ao encontrarem condições favoráveis e poucos ou nenhum predador natural, algumas espécies conseguem se reproduzir e ocupar espaços antes dominados por organismos nativos.
Pesquisadores do projeto Marés de Mudança acompanham a evolução dessas populações em diferentes pontos da Baía de Paranaguá.
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Monitoramento acompanha avanço das espécies
O coordenador do projeto, Rafael Metri, explica que o trabalho busca acompanhar a dinâmica dessas espécies ao longo do tempo.
Segundo ele, estudos anteriores registravam ocorrências pontuais, enquanto o novo monitoramento permite retornar aos mesmos locais e observar mudanças na presença e na quantidade dos organismos.
A preocupação aumenta diante do avanço de espécies consideradas problemáticas para o equilíbrio ambiental e para atividades que dependem diretamente do mar.
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Para realizar o levantamento, as equipes fazem coletas em diferentes áreas do litoral, utilizando equipamentos específicos para identificar e separar espécies nativas e exóticas.
Comunidades caiçaras ajudam a identificar invasores
O monitoramento científico também conta com a participação de quem conhece o mar no dia a dia.
Pescadores e moradores das comunidades caiçaras ajudam os pesquisadores a identificar regiões onde há maior presença de espécies invasoras.
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Em algumas áreas, organismos encontrados no mar podem se prender às redes de pesca, aumentando o trabalho dos pescadores e provocando prejuízos para quem depende da atividade.
A troca de informações entre pesquisadores e comunidades também ajuda a ampliar o monitoramento de uma região extensa e a registrar mudanças que podem passar despercebidas em levantamentos pontuais.
Uma invasão silenciosa
A proliferação acontece principalmente debaixo d'água e, muitas vezes, só é percebida quando a espécie já está presente em grande quantidade.
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É por isso que o processo é definido pelos pesquisadores como uma “invasão silenciosa”.
Em algumas regiões, organismos exóticos já ocupam espaços importantes nos costões rochosos, alterando a presença das espécies que fazem parte naturalmente daquele ambiente.
O avanço também pode afetar atividades tradicionais ligadas ao mar e modificar a dinâmica de comunidades que dependem da pesca e do cultivo de organismos marinhos.
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Documentário mostra os impactos da bioinvasão
O tema também é abordado no documentário Invasão Silenciosa, dirigido por Gabriel Marchi.
A produção acompanha o trabalho dos pesquisadores e mostra, por meio de imagens registradas dentro e fora da água, como as espécies exóticas ocupam novos espaços no litoral.
Um dos exemplos está em Guaratuba, onde o mexilhão-verde tem chamado a atenção pelo avanço em estruturas utilizadas no cultivo de ostras.
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A presença do organismo em trapiches, cordas e equipamentos usados nas fazendas marinhas representa mais um desafio para produtores e pesquisadores que acompanham a situação.
Alerta para o futuro do litoral
Diferente de um evento ambiental repentino, a bioinvasão acontece de forma gradual. Por isso, pesquisadores alertam para a importância do monitoramento e da participação das comunidades na identificação de novas ocorrências.
O projeto mantém canais de comunicação para que moradores e trabalhadores do litoral possam registrar a presença de organismos suspeitos, tirar dúvidas e contribuir com o acompanhamento das espécies.
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Para os pesquisadores, a união entre ciência e comunidades tradicionais é fundamental para compreender a dimensão do problema e buscar formas de proteger a biodiversidade da costa paranaense.
Nosso Litoral mostra esse desafio e acompanha o trabalho de pesquisadores e comunidades que estão na linha de frente do monitoramento das espécies invasoras na costa do Paraná.
O programa vai ao ar todos os domingos, às 9h30, na programação da Band Paraná.
