PF afirma que deputado federal Ricardo Abrão financiou esquema de compra
Segundo a investigação, parlamentar teria levado dinheiro a comitê clandestino em Nilópolis nas eleições de 2024

O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) é apontado pela Polícia Federal como financiador do esquema de compra de votos que foi montado dentro de um "comitê clandestino" em Nilópolis, na Baixada Fluminense. As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que autorizou as buscas no endereço do político no início do mês.
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Segundo as investigações, em 2024, Ricardo Abrão foi o patrocinador do crime de corrupção eleitoral para favorecer o próprio primo. Abraão David Neto, conhecido como Abraãozinho, foi reeleito prefeito de Nilópolis nas eleições daquele ano.
Em mensagens interceptadas pela PF, os investigadores chegaram à conclusão de que o deputado federal teria ido pessoalmente a um imóvel no município da Baixada Fluminense para deixar o "carvão", o que a Polícia Federal trata como dinheiro em espécie. O montante era usado para pagamento de cabos eleitorais e eleitores.
Para a PF, o parlamentar entregava valores ao "QG" montado dentro de um imóvel aparentemente à venda, mas que era usado para movimentar o esquema criminoso.
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Outros trechos obtidos pela PF revelam que os envolvidos chegaram a queimar documentos preocupados com uma possível ação policial.
Os investigadores monitoraram o local por seis horas e confirmaram que o "QG" funcionava para ocultar o fluxo de eleitores e valores. Um grupo de WhatsApp chegou a ser montado para organizar a distribuição do dinheiro.
As investigações da PF são um desdobramento da prisão de 24 pessoas em flagrante em outubro de 2024 por suspeita de compra de votos em Nilópolis. Na época, foram achados materiais de campanha eleitoral do então candidato à Prefeitura de Nilópolis, Abraãozinho. A PF também apreendeu mais de R$ 50 mil em espécie.
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Segundo a PF, as mensagens obtidas revelam a existência de " uma organização criminosa estruturada para a prática de crimes eleitorais e lavagem de capitais".
Em nota, a defesa do deputado federal Ricardo Abrão negou veementemente qualquer participação, bem como repudiou as acusações infundadas. O político afirmou ainda que, ao contrário da narrativa, o local era o comitê oficial de campanha, conforme comprova o CNPJ do candidato e o registro no TRE.
O parlamentar destacou que vê com muita estranheza que, às vésperas de uma eleição, apareçam fatos como estes com objetivos de exploração política, além de reafirmar o absoluto compromisso com a legalidade e a verdade.
