Operação contra lavagem de dinheiro cumpre mandado em São José dos Campos
Mandado de busca e apreensão foi realizado nesta quinta-feira (24); operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro.

São José dos Campos está entre as cidades-alvo no estado de São Paulo de uma ação que é um desdobramento da Operação Carbono Oculto. A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos utilizados na aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
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A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram, nesta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto.
Segundo os investigadores, a apuração busca identificar estruturas financeiras utilizadas para ocultar os reais beneficiários de uma empresa sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Ocultação de empresa sucroalcooleira
De acordo com a Receita Federal, uma das estruturas investigadas teria sido criada para ocultar os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. A titularidade formal da empresa estaria distribuída entre fundos de investimento e outras companhias aparentemente independentes.
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A investigação aponta uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os investigadores, parte relevante dos recursos usados na aquisição das cotas teria origem em fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo. A estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, dificultando a identificação dos reais beneficiários.
Compra de distribuidora de combustíveis
A investigação aponta que a estrutura montada para ocultar a titularidade da usina teria sido utilizada posteriormente na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Segundo a Receita, a operação envolveu banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
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A usina teria recebido R$ 100 milhões enviados para financiar a aquisição. Conforme os investigadores, o dinheiro passou por múltiplas contas de empresas do grupo antes de chegar à conta da usina.
Posteriormente, os valores teriam sido aportados em um fundo de investimento criado para a operação. A investigação aponta ainda o uso de um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV) e de empresas que, segundo a Receita, teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários da aquisição.
Também foram identificados recursos destinados à aquisição integral de cotas de um fundo imobiliário. Segundo a investigação, os imóveis que davam suporte econômico à operação haviam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários, dificultando a identificação dos reais proprietários.
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Empresa financeira movimentou R$ 11,6 bilhões
Segundo a Receita Federal, uma empresa financeira envolvida nas operações movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Para os investigadores, o volume movimentado, analisado em conjunto com os demais elementos da apuração, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.
A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga estruturas financeiras e empresariais relacionadas a crimes no setor de combustíveis.
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Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão em sete estados. Em São Paulo, foram 26 alvos, sendo 18 na capital e os demais distribuídos entre Barueri, Cotia, Guarulhos, Paulínia e São José dos Campos, que teve um alvo na operação.
A operação envolve, além da Receita Federal e do Gaeco, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil. A ação também conta com apoio de unidades do Gaeco nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
