'Dark Horse': polícia de SP tenta acesso a relatórios da Coaf desde maio
Objetivo do pedido é analisar atividades financeiras da dona da produtora do filme e a ONG de propriedade dela

A Polícia Civil de São Paulo tenta, desde maio de 2026, obter autorização para acessar os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sua presidente, Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme "Dark Horse".
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O objetivo da medida é rastrear a destinação de verbas públicas do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para o programa Wi-Fi Livre SP e checar se recursos foram desviados para o custeio do filme, produzido pela Go Up Entertainment e que retratará a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O histórico das tentativas da Polícia Civil expõe um impasse burocrático na esfera estadual que impediu o acesso direto aos dados bancários durante meses:
- 22 de maio de 2026: A Polícia Civil de São Paulo protocolou a representação inicial solicitando os relatórios do Coaf referentes ao ICB e a Karina Gama, abrangendo o período a partir de 20 de junho de 2024 --data da assinatura do Termo de Colaboração nº 01/SMIT/2024 com a prefeitura.
- 28 de agosto de 2026: A Justiça estadual exigiu esclarecimentos adicionais e a delimitação prévia de provas, pessoas, empresas e fluxos financeiros sob investigação antes de apreciar o pedido.
- 4 de setembro de 2026: A autoridade policial apresentou a delimitação dos fluxos das empresas subcontratadas e reiterou a urgência no acesso aos dados do Coaf.
- 13 de setembro de 2026: A Polícia Civil de São Paulo continuava sem ter obtido acesso aos relatórios do Coaf. Na mesma data, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu a fundamentação do pedido original feito em maio e ordenou a expedição imediata do ofício ao Coaf nos exatos termos requeridos pela polícia paulista.
O que a polícia quer rastrear nas contas
A quebra do sigilo financeiro perante o Coaf visa ir além da camada aparente dos papéis fiscais e mapear a circulação real dos recursos públicos. A investigação busca mapear as transferências efetuadas pelo ICB para a rede de empresas subcontratadas e verificar se houve saques em espécie, fracionamentos de valores e repasses a beneficiários ocultos.
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A apuração foca a hipótese de financiamento cruzado, na qual verbas do contrato municipal teriam sido desviadas para bancar despesas da produção do longa-metragem "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro realizada pela produtora Go Up Entertainment, empresa de controle privado de Karina Gama.
Avocação do inquérito e unificação no STF
O ministro Flávio Dino determinou neste domingo (13) a avocação do inquérito instaurado pela Polícia Civil de São Paulo, reunindo as apurações no STF. A decisão fundamenta-se na existência de conexão probatória direta entre o contrato municipal de São Paulo e o desvio de emendas parlamentares federais destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC).
Junto à decisão, ele também deferiu pedido da polícia paulista para acessar relatórios do Coaf. "Tenho tais fundamentos como suficientes e os adoto, deferindo o pedido da autoridade policial", afirmou o ministro, acrescentando se tratar de "meio imprescindível para que a polícia e o Ministério Público possam concluir as reflexões que lhes cabem".
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Nos autos recebidos pelo STF, aponta-se um circuito financeiro fechado envolvendo a empresa subcontratada Complexys, o ICB, a ANC e o deputado federal Mário Frias. Segundo a decisão, o parlamentar realizou remessas financeiras à produtora Go Up em montantes incompatíveis com seus rendimentos declarados, figurando como participante ativo da engrenagem investigada.
