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Ação por abuso econômico pode levar à cassação da chapa de Moro no Paraná

TRE-PR ordenou preservação de documentos da Fiep e retirou o segredo de justiça na ação movida contra o candidato do PL

4 min

23/09/2026 15:50 • Atualizado há 15 horas

Ação por abuso econômico pode levar à cassação da chapa de Moro no Paraná

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou, no último dia 20, que a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) preserve documentos fiscais e contábeis de eventos realizados entre 2024 e 2026. A medida foi tomada em uma ação de investigação judicial eleitoral que apura suposto abuso de poder econômico envolvendo a chapa de Sérgio Moro e Edson José de Vasconcelos no Paraná.

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Acusação de abuso de poder econômico

A ação foi proposta pelo candidato do PSD ao Governo do Paraná, Sandro Alex, e pela coligação A Mudança Continua, que afirmam que, entre 2025 e 2026, a estrutura da Fiep foi usada para dar visibilidade política à chapa de Moro ao governo e de Vasconcelos à vice, em suposto abuso de poder econômico.

De acordo com os autores da denúncia, fóruns regionais da indústria em 2025, a feira Expo+Indústria 2026 e uma assembleia geral extraordinária teriam sido reorientados para esse fim, com contratos de mídia, estrutura e marketing estimados em cerca de R$ 11,27 milhões, bancados, em parte, por recursos da Federação.

No mérito, a ação pede a cassação dos registros de Moro e Vasconcelos, além da inelegibilidade por oito anos. A decisão mais recente não determina a cassação, mas ordena a preservação das provas que poderão ser utilizadas no julgamento do mérito.

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“A responsabilização pelo abuso de poder econômico [...] alcança tanto os candidatos beneficiados, sujeitos à cassação de registro ou de diploma e à declaração de inelegibilidade”, escreve o corregedor Fernando Prazeres, do TRE-PR, em sua decisão.

Liminar garante preservação de provas

Na decisão liminar, Fernando Prazeres entendeu, em análise preliminar, que há indícios que justificam a preservação de provas. O desembargador enviou ofício à Fiep determinando a guarda, sem descarte ou reorganização, de contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e registros contábeis ligados aos fóruns de 2024 e 2025, à Expo+Indústria 2026 e à assembleia de 26 de agosto.

A Federação terá cinco dias, contados da intimação, para informar ao TRE-PR a lista desses documentos, sob pena de multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento. Cópias poderão ser requisitadas futuramente para instruir o processo, que apura eventual abuso de poder econômico nas eleições estaduais de 2026.

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Pedidos negados e fim do segredo de justiça

O corregedor negou outros pedidos, como a retirada de outdoors do Sistema Fiep próximos ao Aeroporto Afonso Pena e a proibição de que Moro e Vasconcelos participem de eventos da entidade ou de sindicatos patronais. Para ele, os elementos atuais não indicam propaganda eleitoral explícita nem benefício direto e imediato às candidaturas.

Prazeres também rejeitou antecipar a requisição detalhada de todos os gastos dos eventos, por entender que a produção de provas deve ocorrer na fase própria da ação, após o contraditório. A tramitação sob segredo de justiça foi revogada, e o caso será submetido ao colegiado do TRE-PR para referendo da decisão e possível análise de conexão com outra investigação semelhante.

O que diz a FIEP

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Por nota, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) disse que dispõe de amplo, detalhado e organizado acervo documental, incluindo atas, editais de convocação, contratos, notas de empenho e registros contábeis referentes às atividades mencionadas na decisão.

Informou, ainda, que, no momento oportuno, a documentação poderá ser apresentada de forma transparente e integral, permitindo demonstrar a plena regularidade das deliberações estatutárias, dos eventos institucionais realizados e dos contratos celebrados.

NOTA À IMPRENSA – CAMPANHA SERGIO MORO

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Sergio Moro ainda não foi formalmente cientificado da ação; contudo, o tema não é novo.

Alegações semelhantes já foram utilizadas no debate eleitoral em relação à participação de Sergio Moro nos Fóruns Regionais da Indústria realizados pela Fiep em 2025, quando ele exercia o mandato de senador pelo Paraná, ao lado de diversas outras autoridades públicas.

Sergio Moro nunca teve vínculo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Sua participação ocorreu exclusivamente na condição de senador e autoridade convidada para discutir temas de interesse do Estado.

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À época dos eventos, Edson Vasconcelos não mantinha vínculo político, nem era apresentado como possível candidato.

Levantamento documental da defesa demonstra que os Fóruns integravam a programação institucional regular da FIEP e davam continuidade a uma iniciativa iniciada em 2024. Os encontros tinham agenda previamente estabelecida e abordavam temas como infraestrutura, logística, produtividade, energia, empregabilidade e desenvolvimento industrial.

Além de Sergio Moro, participaram empresários, representantes de entidades de classe, prefeitos, secretários, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e outras autoridades de diferentes correntes políticas.

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Portanto, não se tratava de eventos organizados em torno de Sergio Moro ou destinados a promover uma futura candidatura, mas de atividades institucionais voltadas à discussão de temas relevantes para o desenvolvimento do Paraná.

Por fim, a defesa ressalta que o ajuizamento de uma ação, por si só, não transforma alegações em fatos comprovados, nem antecipa qualquer conclusão da Justiça Eleitoral.

Curitiba, 22 de setembro de 2026.

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DEFESA DE SERGIO MORO

Ação por abuso econômico pode levar à cassação da chapa de Moro no Paraná