Band Eleições: Lula e Flávio não conseguem dar esperança, diz especialista
A eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) é marcada por um cenário de desânimo do eleitorado, em que nenhum dos dois
A eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) é marcada por um cenário de desânimo do eleitorado, em que nenhum dos dois principais candidatos consegue despertar um sentimento genuíno de esperança ao eleitorado. A avaliação é do cientista político Maurício Moura, do Instituto Ideia, convidado do programa Band Eleições desta segunda-feira (21).
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De acordo com Maurício Moura, a candidatura de Flávio Bolsonaro não desperta na população a mesma identificação direta nem a expectativa que marcaram a ascensão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em pleitos anteriores. O especialista lembrou que "existia uma esperança que o Bolsonaro fosse ser uma figura disruptiva na política", algo que não se repete no cenário atual.
Moura destacou que entre 20% e 25% do eleitorado que pretende votar em Flávio não gosta do candidato, mas aceita seu nome por um "conformismo" contra o PT. Sem o mesmo carisma do pai, Flávio atrai um eleitorado motivado pela rejeição ao governo, o que deve resultar em um nível de tolerância bastante baixo com a sua gestão caso venha a ser eleito.
Desgaste do governo e a eleição dos endividados
Por outro lado, o governo Lula também enfrenta dificuldades para mobilizar o eleitorado com um discurso de esperança. O painel do programa --integrado também pelos jornalistas Fernando Mitre, Eduardo Oinegue e Thaís Dias-- ponderou que Lula perdeu o apoio de parcela do eleitorado de centro que havia votado nele em 2022 apenas para derrotar Jair Bolsonaro.
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Com a pauta ética desgastada perante a opinião pública, a decisão do eleitorado indeciso será estritamente pragmática. "Esse é o ciclo dos endividados", ressaltou Moura, ao explicar que cerca de 3% a 4% dos eleitores --cidadãos com dívidas que votaram em Lula em 2022, mas desaprovam o governo atual-- definirão o resultado das urnas com base na situação financeira do seu dia a dia.
Apatia e a disputa do comparcimento
Sem uma narrativa que inspire o eleitorado, a disputa eleitoral transformou-se em uma campanha de mobilização e combate ao desinteresse. Para Moura, o vencedor será aquele que conseguir superar o desânimo da população e levá-la às urnas.
O especialista alertou ainda que essa mesma apatia pode alterar a dinâmica da votação: um aumento de apenas 4 pontos percentuais na taxa de "não voto" (brancos, nulos e abstenção situada entre 19% e 23%) pode antecipar a definição do pleito e decidir a presidência logo no primeiro turno.
