Coligação de Lula aciona TSE contra estrutura que amplia campanha de Flávio
Campanha aponta 1,8 mil posts em coautoria no Instagram para ampliar alcance de Flávio sem identificação ou registro

A coligação 'Brasil Pronto pra Mais', que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação de investigação judicial eleitoral contra Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, candidatos a presidente e vice pelo PL, e contra o deputado Mario Frias (PL-SP), por suposto uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político.
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O pedido formal, apresentado em Brasília, mira uma estrutura digital que, segundo a coligação, amplia a campanha de Flávio Bolsonaro por meio de publicações em coautoria no Instagram, sem a transparência exigida pela legislação eleitoral para impulsionamento de conteúdo.
Rede de collabs mapeada no Instagram
A ação se baseia em um levantamento da equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula. De acordo com o documento, o grupo identificou 1.826 publicações em coautoria (collabs) no Instagram, distribuídas entre 492 perfis, sendo 1.334 dessas postagens concentradas em apenas dez dias.
Conforme descreve a petição, a maioria das publicações repete os mesmos conjuntos de coautores, o que indicaria uma atuação coordenada. Para a coligação, o uso dessa ferramenta reproduz o efeito do impulsionamento pago, ao multiplicar o alcance de uma mesma mensagem em diversos perfis, mas sem contratação formal, sem identificação clara do responsável e sem registro contábil como gasto de campanha.
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Acusações de abuso de poder e desinformação
Na visão da coligação 'Brasil Pronto pra Mais', essa rede de collabs configuraria abuso de poder econômico e político, ao permitir que a candidatura de Flávio Bolsonaro alcance públicos mais amplos por meio de uma estrutura organizada, sem se submeter às regras de propaganda eleitoral remunerada.
O texto protocolado no TSE afirma ainda que parte desse conteúdo veiculado em coautoria inclui desinformação e peças produzidas com uso de inteligência artificial, sem qualquer identificação de que se trata de material sintético. Segundo a campanha de Lula, essa prática pode confundir o eleitor e desequilibrar a disputa.
O que pode acontecer no TSE
A ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) é o instrumento usado para apurar suspeitas de abuso de poder nas eleições. Pela legislação, caso o TSE reconheça irregularidades, o processo pode levar à cassação de registro ou diploma e à declaração de inelegibilidade dos envolvidos.
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O tribunal ainda vai analisar se admite a ação e, em seguida, deve intimar os citados para apresentar defesa. Até o momento, não há decisão sobre o pedido da coligação. Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, Mario Frias e o PL são alvos da ação e, caso queiram, poderão contestar as acusações no curso do processo.
