Debate Band: entre farpas e propostas, o que disseram candidatos ao Senado
O Grupo Bandeirantes de Comunicação realizou na noite desta quarta-feira (9) o primeiro debate entre os candidatos ao Senado Federal pelo estado de São Paulo,

O Grupo Bandeirantes de Comunicação realizou na noite desta quarta-feira (9) o primeiro debate entre os candidatos ao Senado Federal pelo estado de São Paulo, transmitido ao vivo pela Band e pela BandNews TV, sob a mediação do jornalista Marco Antônio Sabino.
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O encontro reuniu os sete concorrentes à vaga no Congresso Nacional: André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSD) e Soninha Francine (Cidadania).
Estruturado em quatro blocos, o programa combinou embates diretos entre os postulantes e sabatinas conduzidas por jornalistas, abordando temas centrais da pauta estadual e nacional. Veja abaixo os principais temas abordados pelos candidatos.
Crise institucional, STF e o papel do Senado
A relação entre os Poderes da República e o papel do Senado e fiscalização de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pautaram diversos momentos do debate.
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- André do Prado (PL) argumentou que o país atravessa uma crise institucional sem precedentes no STF e defendeu que os senadores exerçam a prerrogativa de julgar ministros por crime de responsabilidade, criticando a paralisação de matérias aprovadas no Congresso por meio de decisões monocráticas.
- Marina Silva (Rede) ponderou que o combate aos desvios deve seguir rigorosamente o devido processo legal e manifestou apoio a reformas estruturais no Judiciário.
- Soninha Francine (Cidadania) relembrou apurações de trocas de mensagens e denúncias envolvendo ministros da Corte e agentes do setor financeiro no caso do Banco Master, questionando como o Senado pode atuar contra a impunidade e estabelecer regras severas de conflito de interesses.
- Simone Tebet (PSD) defendeu investigações profundas "doa quem doer" e apresentou propostas de reforma para o STF, incluindo o fim da vitaliciedade, a fixação de mandatos de 12 anos, a exigência de idade mínima de 50 a 55 anos para indicação e a obrigatoriedade de submeter decisões monocráticas ao plenário em no máximo 48 horas a 5 dias.
- Geraldo Rufino (Podemos) apontou que a omissão do Senado na fiscalização permitiu o desequilíbrio entre os Poderes e a perda de credibilidade da Suprema Corte.
- Ricardo Salles (Novo) cobrou posicionamento direto a favor do impeachment de ministros do STF, acusando lideranças partidárias e do Centrão de represarem os processos na Casa.
Segurança pública, crime organizado e maioridade penal
As estratégias de combate à criminalidade e o avanço de facções criminosas geraram divergências profundas entre os candidatos.
- Simone Tebet criticou o funcionamento insuficiente de Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) em regime 24 horas no estado e defendeu a revisão do PL Antifacção no Senado para asfixiar o poder financeiro de organizações como o PCC e o Comando Vermelho.
- Guilherme Derrite (PP) rebateu destacando o aumento de 179% na estrutura de DDM e salas DDM durante sua gestão na Secretaria de Segurança Pública. Citou ações de combate ao crime organizado na cracolândia via Operação Downtown e na comunidade do Moinho, no centro de São Paulo, ressaltou a relatoria do fim das saídas temporárias de presos e defendeu enfaticamente a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves, apresentando dados sobre homicídios e estupros cometidos por menores.
- Ricardo Salles defendeu o endurecimento de penas, o fim de visitas íntimas, o fim das audiências de custódia e o trabalho obrigatório para presidiários, acusando a esquerda de romantizar o crime.
- Marina Silva justificou seu voto contrário à redução da maioridade penal na CCJ da Câmara ressaltando sua visão como professora de que adolescentes infratores não devem ser tratados simplesmente com medidas de adultos.
- André do Prado sustentou que jovens de 16 anos aptos ao voto devem arcar com a responsabilidade penal em crimes graves, destacando também a redução das taxas de homicídio no estado.
Fim da escala 6x1 e relações trabalhistas
A proposta de alteração da jornada de trabalho para extinguir a escala 6x1 sem redução salarial dividiu as visões econômicas apresentadas.
- Marina Silva defendeu o fim da escala 6x1 sem redução salarial como medida essencial para a saúde mental, convivência familiar e aumento de produtividade dos trabalhadores, sobretudo das mulheres submetidas a múltiplas jornadas.
- Simone Tebet apoiou a mudança sem corte de salários, citando estudos do IPEA que indicam impacto inferior a 1% no setor agropecuário e defendendo desonerações e mecanismos de apoio a micro e pequenos empresários.
- Ricardo Salles declarou-se contrário à intervenção do Estado nos contratos de trabalho privados, sustentando que modelos flexíveis (por hora ou tarefa) estimulam a economia, enquanto restrições geram desemprego.
- Geraldo Rufino e Soninha Francine discutiram as novas dinâmicas do mercado de trabalho autônomo e de aplicativos (plataformizados), propondo a simplificação de impostos, inclusão previdenciária e acesso facilitado a crédito.
Economia, reforma tributária e pacto federativo
A conjuntura econômica nacional, os níveis de endividamento e a distribuição dos impostos arrecadados em São Paulo também pautaram as discussões.
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- Guilherme Derrite criticou a gestão econômica do governo federal por altos juros e endividamento de empresas, cobrando revisões na Reforma Tributária para proteger o setor produtivo paulista e reestruturar o Pacto Federativo.
- Soninha Francine concordou com a necessidade de reajustes na cobrança de impostos para simplificar normas e eliminar distorções de alíquotas.
- Marina Silva apontou perda de eficiência fiscal na gestão de São Paulo e queda de desempenho em indicadores sociais e educacionais.
- Ricardo Salles defendeu a tradição econômica do Estado e responsabilizou os gastos da União pela elevação das taxas de juros e desequilíbrio fiscal.
- André do Prado ressaltou a urgência de regulamentar o Pacto Federativo no Senado, apontando a distorção de São Paulo gerar 30% do PIB nacional e receber de volta apenas cerca de R$ 9 a cada R$ 100 enviados a Brasília.
Saúde pública, tabela SUS paulista e oncologia
As propostas para o atendimento hospitalar e o tratamento oncológico fundamentaram-se em iniciativas locais e federais.
- Simone Tebet defendeu o cumprimento estrito dos prazos legais para a oncologia no SUS (diagnóstico em até 30 dias e início do tratamento em 60 dias), propondo a regionalização dos serviços e o direcionamento de emendas para hospitais filantrópicos.
- Guilherme Derrite e André do Prado destacaram a implementação da Tabela SUS Paulista pelo governo estadual, que multiplicou a complementação de procedimentos médicos com recursos próprios, resgatando a sustentabilidade de mais de 800 Santas Casas e viabilizando a abertura e ampliação de leitos de UTI.
Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) durante debate na Band para o Senado de São Paulo Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) durante debate na Band para o Senado de São Paulo Marina Silva (Rede) e Ricardo Salles (Novo) durante debate na Band para o Senado de São Paulo André do Prado (PL) e Marina Silva (Rede) durante debate na Band para o Senado de São Paulo Ricardo Salles (Novo) e Simone Tebet (PSB) durante debate na Band para o Senado de São Paulo Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) durante debate na Band para o Senado de São Paulo ‹›
População em situação de rua e assistência social
A atenção à população vulnerável reuniu propostas voltadas à saúde mental e à inserção no mercado de trabalho.
- Soninha Francine destacou a urgência de tratar o alcoolismo e os transtornos de saúde mental como fatores determinantes no acolhimento a pessoas em situação de rua, cobrando mais recursos federais para consultórios na rua e acompanhamento terapêutico.
- Geraldo Rufino relatou sua trajetória pessoal como ex-morador de rua e morador de favela que trabalhou desde a infância catando materiais recicláveis e carvão. Defendeu o incentivo ao primeiro emprego, a ampliação do programa menor aprendiz e a desburocratização do empreendedorismo como caminhos de resgate da dignidade.
Mudanças climáticas e licenciamento ambiental
As políticas ambientais e o desenvolvimento sustentável motivaram debates sobre metas e investimentos.
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- Marina Silva destacou que 177 municípios paulistas estão sujeitos a eventos climáticos extremos e detalhou ações do Plano Clima, a expansão do Fundo Clima (de R$ 400 milhões para R$ 27 bilhões) e a redução no desmatamento dos biomas.
- Soninha Francine cobrou dotações orçamentárias explícitas nos planos climáticos e metas claras para o reassentamento habitacional de famílias em áreas de alto risco.
- Geraldo Rufino defendeu a desburocratização de exigências ambientais para pequenas empresas e o fortalecimento da cadeia de reciclagem.
- Guilherme Derrite ressaltou a agilidade nos processos de licenciamento rural via CETESB e a atuação do Estado em erradicar invasões de terras no agronegócio.
Infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas
A participação do setor privado na modernização da infraestrutura do Estado foi analisada por alguns candidatos.
- Soninha Francine posicionou-se favorável a concessões públicas fundamentadas em estudos técnicos e contratos transparentes de fiscalização, citando a qualidade das rodovias estaduais paulistas.
- Geraldo Rufino defendeu a ampliação de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões para contornar limitações de investimento e gestão do poder público.
- André do Prado enumerou grandes obras de infraestrutura viabilizadas na Assembleia Legislativa em parceria com o Executivo paulista, como a Linha 17 do Metrô, o Trem Intercidades (TIC) São Paulo-Campinas, o Túnel Santos-Guarujá e a expansão do metrô para municípios da Grande São Paulo.
Polarização política e embates pessoais
O debate registrou momentos de atrito sobre o histórico e os alinhamentos dos participantes.
- Ricardo Salles fez críticas a André do Prado, apontando alianças históricas do deputado com o PT e governos passados de Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin, além de questionar a atuação de dirigentes do seu partido (PL) no Centrão. André do Prado rebateu destacando seus 32 anos de vida pública sem processos criminais e apontando investigações enfrentadas por Salles.
- Ricardo Salles e Guilherme Derrite classificaram as candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva como "forasteiras" por consolidarem suas trajetórias políticas no Mato Grosso do Sul e no Acre. Ambas repudiaram os questionamentos, apontando machismo nas críticas ao enfatizarem que lideranças masculinas que mudaram de domicílio eleitoral não enfrentam a mesma contestação.
- Nos alinhamentos eleitorais, André do Prado e Guilherme Derrite declararam-se representantes do governador Tarcísio de Freitas e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Simone Tebet e Marina Silva reafirmaram o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Fernando Haddad. Soninha Francine ressaltou sua postura de independência, enquanto Geraldo Rufino enfatizou seu perfil focado nas demandas populares.
