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Deepfake de Tarcísio é usado para promover falsa plataforma de investimento

Anúncios pagos no Facebook e Instagram usam vídeo manipulado do governador de SP para promover golpe financeiro

4 min

03/09/2026 13:49 • Atualizado há 20 dias

Deepfake de Tarcísio é usado para promover falsa plataforma de investimento

Circula em anúncios no Facebook e no Instagram um vídeo em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), supostamente promove uma plataforma de investimentos baseada em inteligência artificial. Na gravação, ele afirma que a ferramenta permite obter ganhos de R$ 3 mil a R$ 5 mil por semana a partir de um investimento inicial de R$ 550 e promete devolver o dinheiro caso os resultados não sejam alcançados. É falso. Trata-se de um deepfake do governador, usado para aplicar golpes.

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Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

O vídeo é falso. A imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi manipulada digitalmente, com a técnica de deepfake, para simular que ele promove uma suposta plataforma de investimentos.

Por meio de busca reversa, a Lupa localizou o vídeo original usado na manipulação. Trata-se de uma entrevista concedida por Tarcísio à CNN Brasil em 12 de agosto de 2022. No registro verdadeiro, o então candidato a governador de SP não menciona sistema de investimentos baseado em inteligência artificial.

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Como funciona o golpe?

O golpe continua no link divulgado junto ao vídeo. Ao clicar, o usuário é direcionado para uma página que imita uma reportagem do G1, mas que não pertence ao portal da Globo. O endereço eletrônico utilizado é diferente do domínio oficial do veículo. Uma consulta ao DNSlytics, ferramenta que reúne informações sobre domínios e sites, mostra que o endereço usado na fraude foi criado em 21 de abril de 2026. A Lupa também não encontrou nenhuma reportagem com esse conteúdo na busca do site oficial do G1.

No deepfake, o personagem que usa indevidamente a imagem de Tarcísio não informa o nome da suposta plataforma. Ela só é identificada na falsa reportagem como “Boost 2U Axid”. Uma busca no cadastro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permite consultar participantes autorizados a atuar no mercado de valores mobiliários brasileiro, não retorna resultados para esse nome. Portanto, não há registro na CVM de uma empresa ou plataforma chamada “Boost 2U Axid” autorizada a atuar no Brasil.

A ferramenta também não aparece em busca no site do governo estadual de São Paulo. Isso contraria a afirmação feita no vídeo de que o Estado teria apoiado o desenvolvimento da plataforma.

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Anúncios nas plataformas da Meta ampliam a fraude

Os golpistas recorreram a ao menos dois anúncios pagos nas plataformas da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, para ampliar o alcance da fraude (1 e 2).

Os anúncios foram publicados por uma conta falsa criada em 19 de outubro de 2022. A foto usada no perfil foi produzida com inteligência artificial, segundo análise feita pela Lupa na ferramenta Hive Moderation, que aponta 99,9% de probabilidade de a imagem ter sido gerada artificialmente.

A conta mudou de nome seis vezes e, atualmente, é administrada por cinco pessoas localizadas em três países: Ucrânia (3), Madagascar (1) e Estados Unidos (1).

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Golpe recorrente

Esse tipo de golpe não é novo. A Lupa já desmentiu conteúdos semelhantes que usavam indevidamente a imagem de personalidades e políticos para promover falsas plataformas de investimento. Entre os alvos estão o padre Fábio de Melo, em julho de 2024; o padre Marcelo Rossi, em setembro daquele ano; o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em janeiro de 2025; e o pastor Silas Malafaia, em abril de 2025.

Os casos seguem um padrão: vídeos, entrevistas ou páginas de veículos de imprensa são manipulados para simular que pessoas conhecidas recomendam plataformas que prometem ganhos financeiros elevados. Em alguns casos, a mesma estrutura do golpe é reaproveitada com nomes diferentes e alterações no nome das plataformas.

Em novembro de 2025, uma investigação da Lupa identificou o mesmo esquema sendo operado em ao menos 13 países, entre eles Estados Unidos, Turquia, Índia e Peru.

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