Filas do SUS: compare as soluções dos presidenciáveis para a saúde
Na disputa pela Presidência da República em 2026, candidatos colocam o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) como pautas de seus programas, com

Na disputa pela Presidência da República em 2026, candidatos colocam o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) como pautas de seus programas, com propostas distintas para organizar filas, usar tecnologia e priorizar a saúde mental.
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As plataformas convergem na intenção de diminuir a demora por consultas, exames e cirurgias, mas diferem no tipo de gestão, nas ferramentas digitais e na forma de financiar novas políticas, especialmente em áreas como prevenção de transtornos emocionais e tratamento de dependência em jogos.
Regulação inteligente por risco
Ronaldo Caiado (PSD) propõe criar o Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente, que pretende substituir gradualmente a fila tradicional, baseada apenas na ordem de chegada, por um fluxo determinado pelo risco clínico do paciente.
Nesse modelo, a posição na fila passa a considerar uma combinação de fatores, como:
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- Gravidade clínica atual;
- Risco de progressão da doença em curto e médio prazo;
- Impacto funcional, como ameaça à capacidade de trabalho e autonomia;
- Vulnerabilidade social;
- Tempo já acumulado de espera.
Para sustentar essa lógica, o plano prevê uma infraestrutura federal de dados com um prontuário eletrônico essencial interoperável, capaz de integrar informações de postos de saúde, unidades de atenção primária, exames especializados, hospitais públicos, farmácias e laboratórios.
Na prática, a proposta busca reduzir a fragmentação do atendimento: o histórico do paciente deixa de ficar preso a um único serviço e passa a acompanhar o usuário em toda a rede, o que pode facilitar a identificação de casos prioritários e diminuir perdas de exames e laudos.
Inteligência Artificial e triagem
O candidato Renan Santos, do Missão, apresenta no plano de governo chamado "Livro Amarelo" o programa "SUS Fila Zero", também baseado na ideia de reorganizar o acesso por prioridade clínica e não apenas por ordem de inscrição.
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O eixo central desse programa é a Escala Nacional de Estratificação de Risco (ENER), que define uma classificação padronizada para o risco dos pacientes e orienta quem deve ser atendido primeiro em cada serviço.
A diferença em relação à proposta de Caiado está na ênfase em tecnologia. A candidatura prevê o uso de Inteligência Artificial para fazer a triagem inicial de sintomas, inspirada no sistema digital "DoctorSV", em operação em El Salvador, que combina telemedicina com algoritmos de apoio ao diagnóstico.
De acordo com o plano de Renan Santos, o paciente passaria por uma pré-triagem digital antes de ser encaminhado para uma unidade física, com o objetivo de evitar deslocamentos desnecessários e organizar melhor a demanda.
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Essa plataforma se conectaria ao Pronto (Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável), integrando dados de hospitais públicos e privados, postos de saúde, laboratórios e farmácias.
O desenho pressupõe uma rede digitalizada e acesso à internet, o que, na visão dos formuladores do programa, é condição para que a triagem por IA funcione como filtro inicial das filas e ajude a direcionar rapidamente os casos mais graves.
Saúde emocional e vícios em bets
Augusto Cury, candidato pelo Avante, estrutura sua plataforma em um grande Programa Nacional de Saúde Mental, com foco na prevenção de transtornos como ansiedade, depressão e comportamentos de autoagressão, que ele descreve como uma "epidemia silenciosa".
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Um dos pilares é o programa "Você é Insubstituível!", voltado à prevenção do suicídio e à valorização da vida, já referenciado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). A proposta prevê ações educativas em escolas, unidades de saúde e meios de comunicação para disseminar conteúdos de educação emocional.
Outra iniciativa prevista é o TouchPeace, projeto que treina voluntários para oferecer escuta ativa gratuita a pessoas em sofrimento psíquico agudo, funcionando como apoio complementar às redes formais de atendimento.
O plano também menciona a defesa da aprovação da chamada Lei Augusto Cury (Projeto de Lei nº 5815/2025), que cria o Programa Nacional de Acompanhamento Anual Pediátrico/Médico e Emocional/Psicossocial da Infância e Adolescência (PNAPE).
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Na perspectiva da plataforma, monitorar o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes poderia reduzir a pressão futura sobre o SUS, tanto em saúde mental quanto em outras áreas, ao diminuir casos graves que exigem internações e tratamentos prolongados.
Já o candidato Hertz Dias, do PSTU, direciona sua proposta para o impacto das apostas virtuais na saúde mental. O plano defende o banimento completo das casas de apostas online no Brasil, com fechamento das plataformas e confisco dos bens e do capital de seus proprietários.
Segundo o programa, todos os recursos obtidos seriam destinados a um fundo público de saúde, gerido pelo SUS, voltado exclusivamente ao atendimento de pessoas com diagnóstico de ludopatia, incluindo tratamento especializado, acolhimento e ações de prevenção.
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Ao vincular o financiamento do cuidado em saúde ao setor de apostas, a proposta busca associar a origem dos recursos aos danos que, na avaliação da candidatura, esses serviços geram sobre a população, especialmente jovens em situação de vulnerabilidade.
