Lula fala em manter Bolsonaro preso; Flávio acusa "compra de votos"
Líderes nas pesquisas eleitorais tiveram atos de campanhas em Santa Catarina
Em dia de campanha em Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, fizeram atos em cidades diferentes, com discursos em que Lula falou em manter Jair Bolsonaro preso e cobrou investigação ampla do caso Banco Master, enquanto o senador acusou o chefe do Executivo de tentar comprar votos dos mais pobres com o reajuste do Bolsa Família.
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Lula esteve em Florianópolis e depois voltou a Brasília, de onde se prepara para viagem à Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Flávio cumpriu agenda em Joinville e Chapecó ao lado do irmão Carlos Bolsonaro e reforçou críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao procurador-geral da República Paulo Gonet.
Lula mira Banco Master, Bolsonaro e viagem à ONU
Em comício no centro de Florianópolis, o candidato à reeleição voltou a defender que o Supremo Tribunal Federal investigue todos os envolvidos no escândalo do Banco Master. Segundo Lula, a Corte deve apurar e investigar todos e deixar os responsáveis expostos diante da sociedade brasileira, porque, na visão dele, só assim o país poderá ser consertado.
No mesmo discurso, o presidente prometeu endurecer penas para crimes de violência contra a mulher e reiterou a intenção de proibir as casas de apostas esportivas. Ele também atacou diretamente Flávio Bolsonaro ao afirmar que o adversário quer vencer para tirar o pai da cadeia, enquanto disse buscar a vitória para manter Jair Bolsonaro na cadeia.
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Após a rápida passagem por Santa Catarina, Lula retornou a Brasília e deve fazer uma pausa nas agendas de campanha. Ele viaja amanhã à noite para Nova York, onde participará da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, com discurso voltado à defesa da soberania nacional, sem detalhar as crises internas brasileiras, segundo auxiliares.
Na viagem, Lula deve ter reuniões bilaterais com outros chefes de Estado, e a diplomacia brasileira negocia um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possivelmente informal nos bastidores, como ocorreu no ano passado. Na semana que antecedeu o embarque, o governo Trump acusou o Brasil de falhar no combate às facções criminosas.
O Palácio do Planalto e o Tribunal Superior Eleitoral receberam da Agência Brasileira de Inteligência um relatório que classifica como crítico o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano. O documento cita uma proposta inicial da negociação do chamado tarifaço, em que Washington sugeriu que dissidentes políticos não fossem presos ou impedidos de disputar eleições no país, ideia que acabou abandonada.
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Flávio Bolsonaro critica PGR, STF e reajuste do Bolsa Família
Flávio Bolsonaro, por sua vez, participou de eventos de campanha em Joinville e Chapecó, acompanhado do irmão Carlos Bolsonaro, que deixou a Câmara Municipal do Rio para tentar uma vaga no Senado por Santa Catarina. Em entrevistas, o candidato do PL comentou a foto em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro em um evento em Londres.
Para Flávio, a imagem simboliza um distanciamento da cúpula da República em relação à população. Ele afirmou que, enquanto brasileiros estão sem comida na mesa, integrantes da tropa de Lula estariam tomando uísque e fumando charuto caro no exterior, rindo da cara do povo.
Durante os discursos, o senador defendeu mudanças profundas na composição do Supremo Tribunal Federal e prometeu indicar, se eleito presidente, pelo menos cinco ministros para a Corte. Ele mencionou como possibilidades a nomeação para a 11ª vaga ainda aberta, as futuras aposentadorias de Cármen Lúcia, Luiz Fux e Gilmar Mendes e até um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
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Flávio também apresentou propostas econômicas, como reduzir impostos, diminuir burocracias na área ambiental e criar programas de incentivo ao empreendedorismo. Em tom crítico, acusou Lula de tentar comprar o voto dos mais pobres ao assinar o decreto que reajustou em 15% o Bolsa Família durante o período eleitoral, argumentando que o aumento de cerca de R$ 90 deveria ter ocorrido em 2023 e ter sido maior.
Ao comparar com o governo do pai, Flávio disse que Jair Bolsonaro triplicou o valor do benefício ao elevá-lo para R$ 400 e chamou o reajuste atual de vergonha. Ele também comemorou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de abrir ação contra Lula e o vice Geraldo Alckmin por suposto abuso de poder político e econômico na homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval deste ano, caso em que os investigados terão cinco dias para apresentar defesa.
Outros candidatos dividem agenda entre economia e segurança
Outros postulantes ao Palácio do Planalto também tiveram agenda ao longo do dia. Em São Paulo, Augusto Cury, candidato do Avante, visitou a Ceagesp, maior central de distribuição de alimentos do país, onde defendeu a ampliação do Bolsa Família, mas criticou o reajuste anunciado pelo governo justamente às vésperas da eleição.
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Segundo Cury, se Lula tivesse respeito e carinho pelas pessoas atendidas pelo programa, teria promovido o aumento no início do ano e em percentual maior. Ele declarou que o benefício deveria subir ao menos 30%, e não apenas 15%, como ocorreu.
Em Santa Catarina, Renan Santos, candidato do partido Missão, dedicou o dia à pauta de segurança pública e defendeu o endurecimento de penas para criminosos. Na visão dele, o Brasil se tornou a Disney, o Beto Carrero da violência no mundo, e seria necessário aumentar significativamente as penas, a letalidade policial e, quando julgado necessário, promover intervenção federal em estados que não adotem políticas mais rígidas.
Já em Barretos, no interior de São Paulo, Ronaldo Caiado, do PSD, participou de um evento promovido por voluntários do Hospital do Amor, referência em tratamento contra o câncer. Em suas falas, Caiado destacou a importância de ampliar investimentos em diagnósticos rápidos para a doença como forma de reduzir a mortalidade e melhorar a estrutura do Sistema Único de Saúde.
