Privatizar ou estatizar: compare as propostas dos presidenciáveis em 2026
Nas Eleições Presidenciais de 2026 no Brasil, candidatos apresentam propostas econômicas antagônicas sobre privatizações, estatizações e regras para o

Nas Eleições Presidenciais de 2026 no Brasil, candidatos apresentam propostas econômicas antagônicas sobre privatizações, estatizações e regras para o orçamento federal.
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De um lado, a plataforma liberal de Romeu Zema (Novo) prevê a venda de todas as empresas públicas. De outro, candidaturas do campo socialista defendem reestatizar e nacionalizar setores como mineração, energia e sistema financeiro, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a defesa de uma economia mista e concentra o debate na redefinição das emendas parlamentares.
Privatização total de empresas públicas
O plano de governo de Romeu Zema, batizado de Plano Implacável, propõe privatizar 100% das estatais brasileiras. A proposta é limitar a atuação direta do Estado na economia e concentrar a máquina pública em funções regulatórias e em contratos de concessão e parcerias público-privadas.
Segundo o texto, setores produtivos como energia, saneamento, logística e serviços financeiros devem ficar sob controle da iniciativa privada, cabendo ao governo definir regras, fiscalizar e garantir concorrência. O candidato do Novo argumenta que empresas públicas sofrem risco permanente de loteamento e apadrinhamento político.
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Para abrir espaço fiscal, Zema prevê também vender imóveis da União e revisar despesas obrigatórias. A meta declarada é aumentar o investimento privado em infraestrutura, saúde, saneamento e educação, com o Estado atuando como indutor por meio de marcos regulatórios e concessões.
Reestatização sob controle dos trabalhadores
No campo socialista, os programas de Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) propõem direção oposta, com nacionalização e reestatização de setores estratégicos, em geral sem indenização aos atuais controladores privados.
A candidata Samara Martins, da Unidade Popular, coloca como prioridade reestatizar todas as empresas privatizadas em governos anteriores e nacionalizar recursos considerados estratégicos, como petróleo, minérios e sistema bancário, para direcionar o orçamento federal ao atendimento das demandas da população trabalhadora.
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Na plataforma do PSTU, Hertz Dias defende expropriar e reverter privatizações de grandes empresas de mineração, petróleo, energia e siderurgia, como Vale e Petrobras, que voltaria a ser 100% estatal.
Os excedentes dessas estatais seriam usados, sob conselhos de trabalhadores, para financiar infraestrutura, transição ecológica e serviços sociais, junto com a estatização do sistema financeiro em um banco único.
Já Edmilson Costa, do PCB, propõe retomar ao patrimônio público empresas estratégicas privatizadas, que passariam a operar sob controle operário. O programa prevê estatizar o sistema financeiro, criar um Banco dos Trabalhadores, gerido por entidades de classe e sindicatos, para administrar fundos previdenciários e de seguridade, e instituir uma comissão da verdade das privatizações.
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Na comparação com a agenda liberal de Zema, essas propostas ampliam o papel direto do Estado na economia e deslocam a gestão para estruturas com participação de trabalhadores e organizações sociais.
Blindagem do orçamento de emendas impositivas
A chapa liderada por Lula, pelo PT, adota uma posição intermediária, defendendo economia mista, fortalecimento da Petrobras e uso de investimentos públicos em áreas consideradas estratégicas. O foco central do programa, porém, está na reorganização do orçamento federal e na limitação do poder das emendas parlamentares.
O documento aponta como problema o avanço das emendas impositivas e do chamado orçamento secreto, que somaram cerca de R$ 50 bilhões em 2026, cerca de um quinto dos recursos discricionários do Executivo. Segundo o texto, essa estrutura fragmenta o orçamento, dispersa recursos em obras sem planejamento integrado e reduz a capacidade de gestão do governo federal.
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Lula afirma que pretende enfrentar o Congresso para redefinir o sistema de emendas e blindar parte do orçamento, vinculando sua distribuição às metas do Plano Plurianual e a prioridades definidas pelo Executivo com participação social.
Na prática, o debate opõe privatização total, reestatização sob controle dos trabalhadores e reorganização do orçamento em um arranjo de economia mista.
