Entenda a rede de influência de Vorcaro que serviu como proteção a fraudes
Apuração da PF sobre o Master detalha os vínculos de Vorcaro com STF, Congresso, BC, PGR, PF, governos e INSS
A investigação da Polícia Federal sobre a fraude bilionária envolvendo o Banco Master revelou uma articulação ampla de Daniel Vorcaro com diferentes poderes da República e órgãos públicos, que, segundo a apuração, teria funcionado como espécie de blindagem para seus negócios.
Continua depois da publicidade
Mensagens obtidas em seu celular e documentos anexados ao inquérito mostram aproximações com integrantes do Supremo Tribunal Federal, parlamentares, diretores do Banco Central, além de referências ao comando da própria Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. A rede se estende ainda a fundos de pensão de estados e municípios e a contratos ligados ao INSS.
Os principais pontos da teia de relações
- Supremo Tribunal Federal: a apuração registra troca de mensagens com autoridades ligadas à Corte, custeio de viagens e patrocínio, em milhões de reais, de eventos internacionais com presença de ministros.
- Congresso Nacional: documentos indicam contato frequente com parlamentares e oferta de viagens bancadas, em meio a votações e debates relevantes para o sistema financeiro e interesses do Banco Master.
- Banco Central: Vorcaro é investigado por suspeita de pagar propina a diretores do BC em troca de favorecimentos regulatórios e decisões que beneficiariam operações do grupo.
- PGR e Polícia Federal: mensagens do celular do banqueiro citam o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República, sugerindo tentativa de aproximação com as cúpulas da investigação.
- Governos estaduais e municipais: fundos de pensão de servidores, abastecidos com recursos públicos, investiram em ativos ligados ao Master e acumulam perdas estimadas em bilhões de reais.
- INSS: a PF apura suspeitas de irregularidades em mais de 250 mil contratos de crédito consignado para aposentados e pensionistas vinculados ao sistema do INSS.
Segundo os materiais analisados, os núcleos ligados ao Supremo, ao Congresso e ao Banco Central concentram parte dos episódios mais delicados da apuração. Eles combinam contato direto com autoridades, patrocínios de eventos no exterior e suspeitas de pagamento de vantagens indevidas, em um contexto no qual decisões regulatórias e políticas podiam afetar diretamente o Banco Master.
Com a inclusão de fundos de pensão e de operações de crédito consignado, a apuração indica que o caso alcança grandes volumes de dinheiro público, afetando servidores, aposentados e pensionistas. Nas investigações e reportagens divulgadas até agora, essa estrutura de contatos é tratada como uma verdadeira "teia de proteção" em torno de Vorcaro e dos negócios ligados ao Banco Master.
Continua depois da publicidade
Abertura de todos os documentos e determinação do STF
A investigação teve um novo capítulo na tarde desta sexta (11). A Procuradoria-Geral da República, em manifestação oficial, pediu ao STF a queda total do sigilo de todos os documentos do Caso Master. Em resposta imediata, o ministro Edson Fachin atendeu ao pedido para liberar os documentos e deu 24 horas para André Mendonça retirar o sigilo total do caso. A medida ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes afirmar que Mendonça foi seletivo e pedir a queda total de sigilo, além de Cristiano Zanin solicitar a Fachin a íntegra da investigação na posse de Mendonça.
Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).
A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.
Continua depois da publicidade
Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
Continua depois da publicidade
Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.
Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
Continua depois da publicidade
As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
Continua depois da publicidade
As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
Continua depois da publicidade
A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse. Relatórios apontam que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes do áudio sobre o filme, embora o parlamentar tenha classificado as suspeitas como 'mais do mesmo' após a PF revelar o novo encontro. Em outra frente de investigação financeira no exterior, a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a um fundo nos EUA.
