Entenda operação da PF sobre 'Dark Horse 'que teve Mario Frias como alvo
Investigação apura uso de emendas em instituto ligado à produtora do filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o possível desvio de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo o deputado federal Mario Frias e a empresária Karina Gama entre os principais alvos das ações realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
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Principais pontos da operação
- Investigação mira possível desvio de emendas parlamentares para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
- Deputado federal Mario Frias e empresária Karina Gama são alvos e ficam proibidos de deixar o país ou falar com outros investigados.
- PF cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
- Arsenal apreendido em endereço ligado a Frias: quatro pistolas, um revólver, uma espingarda e um fuzil, em local diferente do registrado, segundo a PF.
- Repasse de R$ 2 milhões de emendas para o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, é um dos focos da apuração.
- CGU registra que nenhum estudante foi atendido pelos projetos de educação e esporte vinculados às emendas.
- Produtora Go Up, responsável pelo filme, tem movimentações atípicas superiores a R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
- Entre os créditos, Mario Frias transfere mais de R$ 645 mil em recursos próprios para a Go Up, conforme a PF.
- Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, repassa R$ 1 milhão à produtora para comprar cotas do filme.
- Ao todo, 29 pessoas são alvo das medidas judiciais determinadas pelo ministro Flávio Dino.
- Delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", cita sete transferências para um fundo nos Estados Unidos criado para bancar a produção.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino destacou o repasse de R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama.
Segundo a investigação, Karina também controla a produtora Go Up, responsável por Dark Horse, e há suspeita de que recursos destinados a projetos de educação e esporte pelo instituto tenham sido usados na produção cinematográfica.
A Controladoria-Geral da União informou que nenhum estudante foi atendido nos projetos vinculados às emendas, o que reforça a linha de apuração da PF sobre possível desvio de finalidade.
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Movimentações financeiras e novos envolvidos
Conforme relatório da PF, as contas da Go Up registraram movimentações atípicas superiores a R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, período das gravações do filme, com cerca de R$ 8,9 milhões em créditos e mais de R$ 10 milhões em débitos.
Entre os remetentes, o próprio Mario Frias teria transferido mais de R$ 645 mil em recursos próprios para a produtora, de acordo com os investigadores.
Os policiais ainda comunicaram ao STF que Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, repassou R$ 1 milhão à Go Up para comprar cotas da obra.
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Decisões do STF e delação sobre aportes
Na mesma decisão, Flávio Dino proibiu Mario Frias e Karina Gama de deixar o país e de manter contato com outros investigados; ao todo, 29 pessoas são alvo da operação.
As apurações sobre o financiamento de Dark Horse correm em duas frentes no Supremo: Flávio Dino conduz o inquérito sobre o uso de emendas parlamentares, enquanto André Mendonça analisa supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção.
Ontem, André Mendonça homologou acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como 'Mineiro', que afirmou ter feito sete transferências para um fundo nos Estados Unidos criado para financiar o filme.
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O inquérito que trata dos aportes ligados a Daniel Vorcaro segue sob sigilo, e, até o momento, Mario Frias e Karina Gama não comentaram a operação.
