EUA vetam China em discussão na OMC sobre tarifas a produtos do Brasil
Governo Trump aponta que país asiático não tem relação com o impasse comercial entre Brasil e EUA

Os Estados Unidos rejeitaram o pedido da China para participar das negociações formais na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as taxas aplicadas pelos americanos a produtos vindos do Brasil. A China tinha feito a solicitação em 6 de agosto para se juntar às conversas abertas pelo governo brasileiro.
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Para negar a entrada de Pequim, Washington alegou que a disputa iniciada pelo Brasil não tem relação com a economia chinesa. Com base no Artigo 4.11 das regras da OMC, um país terceiro só pode entrar no debate se a parte visada concordar que existe um "interesse comercial substancial" em jogo.
Os EUA argumentaram que a queixa do Brasil não envolve políticas da China nem impostos sobre bens de origem chinesa. Por isso, a administração americana concluiu que o pedido chinês não tinha fundamento e decidiu vetar a sua participação.
Entenda tarifaço imposto aos Brasil pelos EUA
As medidas tarifárias americanas contra os produtos brasileiros começaram em julho de 2026 e envolvem duas sobretaxas:
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- 22 de julho de 2026 (Tarifa de 25%): Os EUA aplicaram uma taxa inicial de 25% como punição por supostas "práticas comerciais desleais", justificada por investigações americanas envolvendo temas como o Pix, o etanol e o desmatamento na Amazônia.
- 24 de julho de 2026 (Sobretaxa de 12,5%): O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) adicionou uma nova sobretaxa de 12,5%, alegando investigar o uso de trabalho forçado na produção de bens importados.
O governo do Brasil contesta essas investigações e acionou a OMC por considerar as taxas incompatíveis com o comércio internacional.
Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende continuar negociando com os Estados Unidos pela retirada do tarifaço sobre os produtos brasileiros, mas que o Brasil pode tomar providências se o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, não quiser avançar com as conversas.
As declarações, em referência a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional, ocorreram nesta segunda-feira (21), à jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN Internacional.
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Eu não vou ficar chorando pelo leite derramado. Eu vou procurar outros lugares para comprar e vender. É assim que eu faço política. E nós podemos aplicar a Lei da Reciprocidade com os Estados Unidos. Eu sou muito cauteloso. Enquanto estiver na mesa de negociação, eu não preciso fazer a lei da reciprocidade. Mas é importante saber que, se não tiver acordo, nós vamos ter que aplicar a Lei da reciprocidade. --Lula
