Política

'Núcleo BC': cúpula da supervisão bancária fazia consultoria a Vorcaro

Investigação expõe como chefes do Departamento de Supervisão do Banco Central vazavam informações e blindavam Master

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11/09/2026 02:03 • Atualizado há 12 dias

'Núcleo BC': cúpula da supervisão bancária fazia consultoria a Vorcaro

Uma rede de corrupção instalada no alto escalão do Banco Central operava como uma consultoria jurídica e estratégica clandestina em defesa dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. É o que aponta um extenso relatório da Polícia Federal e documentos do Supremo Tribunal Federal (STF) revelados após a quebra de sigilo de parte da investigação principal do Caso Master, nesta quinta-feira (10). https://www.youtube.com/watch?v=mgE3XvoUEVE Servidores de alto escalão como "empregados informais" As apurações reunidas nos autos colocam sob holofotes a atuação de Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), e de Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do mesmo departamento. De acordo com as evidências, ambos operavam com prioridade absoluta para atender aos pleitos do Banco Master. Longe de manterem a distância institucional exigida pelo cargo, os servidores revisavam preventivamente minutas de ofícios e documentos que a instituição financeira protocolaria oficialmente no próprio BC e no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os registros mostram que a dupla antecipava discussões sobre fusões, aquisições e movimentações financeiras que haviam disparado alertas nos filtros de monitoramento da autarquia, como a saída de centenas de milhões de reais de fundos ligados ao grupo. Para blindar os diálogos, os encontros presenciais em residências e as trocas de mensagens ocorriam fora dos canais formais, culminando na criação do grupo de WhatsApp batizado de "Master". Contratos simulados, viagens de luxo e o cerco judicial O avanço das investigações revelou que a "consultoria" prestada pelos servidores vinha acompanhada de fortes indícios de contrapartida financeira. No caso de Belline Santana, a Polícia Federal identificou um intrincado esquema de repasses disfarçados por meio de contratos fictícios — incluindo uma suposta consultoria de R$ 2 milhões para um estudo sobre jovens no mercado financeiro e a criação posterior de uma empresa para receber parcelas mensais —, além do custeio de viagens internacionais de luxo, como passagens e roteiros em Paris. Já para Paulo Sérgio, os indícios apontam transações imobiliárias atípicas intermediadas por empresas ligadas ao cunhado de Vorcaro para ocultar vantagens indevidas. Com o desmonte do esquema, o STF impôs medidas cautelares severas, incluindo o afastamento das funções públicas, entrega de passaportes, proibição de contato e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Em paralelo, a Corregedoria-Geral do Banco Central (COGER) abriu sindicâncias patrimoniais para apurar enriquecimento ilícito e graves violações administrativas na autarquia.

https://www.youtube.com/watch?v=T9UAtman_0Y Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos. Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados. Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário. Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado. Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados. https://www.youtube.com/watch?v=p5JwonYMXH8 Contabilidade paralela e influência em redes sociais O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira. As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas. Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro. Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados. Além das análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval. Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses. Ramificações políticas e a investigação Dark Horse Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional. A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.

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