PF: BRB transferiu R$ 12,2 bi ao Master por carteiras de crédito em 5 meses
Decisão revela suspeitas em operações de R$ 12,2 bi com o BRB e aponta indícios de carteiras de crédito inexistentes

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do inquérito que apura operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, em decisão tomada a pedido do ministro Edson Fachin. Os documentos revelados apontam suspeitas de fraude em negociações de carteiras de crédito que somaram R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025.
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Suspeitas em operações de R$ 12,2 bilhões
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o Banco Master enfrentava problemas de liquidez e passou a repassar carteiras de crédito ao BRB, banco público do Distrito Federal. Nessas operações, o BRB teria desembolsado R$ 6,7 bilhões pelas carteiras e mais R$ 5,5 bilhões em prêmio pago ao Master.
A investigação sustenta que parte dessas carteiras apresentava fortes indícios de inexistência ou falta de comprovação. De acordo com os relatórios, o Banco Central não conseguiu confirmar nenhum dos créditos examinados em amostras analisadas.
Em quatro dias de janeiro de 2025, foram identificadas 182 mil operações de crédito envolvendo 151 mil pessoas, concentradas em apenas 12 valores diferentes por dia, volume considerado incompatível com a capacidade histórica de produção de crédito do grupo Master.
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Achados da Polícia Federal e do Banco Central
De acordo com a Polícia Federal (PF), as operações teriam sido simuladas por meio de cessões de carteiras de crédito inexistentes, com uso de documentação falsa e empresas interpostas. A PF fala em “fortes indícios de insubsistência” dos créditos que embasaram a transferência dos R$ 12,2 bilhões do BRB para o Master.
O Banco Central identificou que as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) vendidas pelo Master ao BRB, no mesmo montante, não tinham comprovação de existência. Em amostras de 30 CPFs de supostos tomadores e de 100 contratos apresentados pelo BRB, as análises não conseguiram vincular depósitos aos contratos.
A PF aponta a empresa Tirreno como possível intermediária da operação, com “forte hipótese” de que ela tenha servido como blindagem para a atuação da Cartos SCD, indicada como verdadeira originadora dos créditos cedidos ao Master. Em apenas três meses, a Tirreno teria produzido R$ 4,6 bilhões em créditos, contra uma média histórica do grupo Master de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões por mês.
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Direção do BRB na mira; Ibaneis fora do alvo
O MPF afirma que documentos usados para justificar as operações perante o Banco Central foram apresentados por integrantes da direção do BRB, entre eles o então presidente Paulo Henrique Costa. Em despacho, o procurador responsável pelo caso apontou indícios de participação dolosa da cúpula do banco e pediu abertura de investigação pela PF.
O documento liberado pelo STF não aponta o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, como investigado nem apresenta indícios de participação dele nas supostas fraudes. As apurações integram a Operação Compliance Zero, e as suspeitas seguem em análise pelas autoridades.
Operação Ostap Bender e medidas cautelares
Dentro do Inquérito 5026, a PF deflagrou a Operação Ostap Bender e pediu à Justiça prisões preventivas e temporárias, buscas e apreensões, bloqueio de bens e valores e outras medidas cautelares contra investigados.
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Os investigadores relatam que o BRB continuou realizando operações com o Master mesmo após questionamentos do Banco Central, cedendo novas carteiras que somaram R$ 4,05 bilhões entre abril e maio de 2025. A PF indica ainda possíveis falhas de governança de crédito no BRB e irregularidades contábeis, com indícios de crimes previstos na Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A PF afirma que o BRB adotou medidas para substituir os créditos e desfazer a operação, mas sustenta que a substituição ocorreu de forma diversa do previsto contratualmente. Há menção a R$ 6,7 bilhões mantidos em conta vinculada da Tirreno no Banco Master, valor que a PF pediu para bloquear por considerá-lo ligado a créditos fraudulentos.
Em 17 de novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, em decorrência de decisão da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, que determinou sua prisão preventiva no âmbito das investigações.
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Relatório de inteligência financeira
Um relatório de inteligência financeira com informações recebidas do exterior identificou oito comunicações de operações suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e a Mosaic Financial.
Segundo o documento, entre os valores monitorados estão US$ 41 milhões identificados pelo Bank of America e US$ 48,6 milhões apontados pelo Bank of New York Mellon.
Em um dos casos descritos, Vorcaro aparece como beneficiário de quatro transferências que, somadas, totalizaram US$ 26 milhões.
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Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
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Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.
Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
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As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
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As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
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A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.
