PF: Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a fundo nos EUA
Relatório enviado ao STF cita mensagens sobre envio de recursos a fundo no Texas para a produção do filme 'Dark Horse'

A Polícia Federal afirma em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro orientou a forma de gestão de recursos enviados por Daniel Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos ligado à produção do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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De acordo com o relatório, em 21 de março de 2025 o publicitário Thiago Miranda enviou a Vorcaro uma captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, na qual o ex-deputado apresentava orientações sobre como os valores poderiam ser administrados nos Estados Unidos e "com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores".
Os investigadores descrevem a existência de um contrato que prevê aportes de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção do longa e consideram elevada a discrepância desse montante em relação aos custos normalmente observados em obras brasileiras de porte semelhante.
O documento ressalta a coincidência entre o cronograma contratual e as remessas internacionais identificadas em relatório de inteligência financeira, além das mensagens em que Daniel Vorcaro orienta que os pagamentos sejam feitos "via Entre" e do comprovante de envio de recursos ao fundo Havengate, sediado no Texas.
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PF descreve estrutura financeira do aporte
As remessas foram direcionadas, de acordo com o relatório, a um fundo sediado no Texas, identificado como Havengate, responsável por receber aportes destinados à produção de "Dark Horse". A PF relaciona essas operações a um contrato que prevê investimentos de cerca de R$ 134 milhões na obra.
No texto, os investigadores afirmam que a análise conjunta de diferentes elementos sustenta a abertura de apuração sobre a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos recursos movimentados.
Entre os fatores considerados pela PF estão:
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- a existência de contrato que prevê aportes de aproximadamente R$ 134 milhões para uma produção cinematográfica nacional;
- a discrepância entre esse montante e os custos normalmente observados em obras brasileiras de porte semelhante;
- a coincidência entre o cronograma previsto no contrato e as remessas internacionais identificadas em relatório de inteligência financeira (RIF);
- mensagens em que Daniel Vorcaro orienta que os pagamentos sejam realizados "via Entre";
- o comprovante de remessa de valores ao fundo Havengate, nos Estados Unidos;
- tratativas envolvendo Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto e Altieres Santana sobre a estrutura financeira adotada;
- reiteradas cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro para a liberação dos recursos.
Para a PF, esses pontos formam "um conjunto coerente de elementos" que evidenciam justa causa para instaurar a investigação, expressão usada no próprio relatório encaminhado ao Supremo.
Indícios de participação de Flávio Bolsonaro
Em outro trecho, a PF aponta indícios de participação do senador Flávio Bolsonaro na viabilização e na cobrança dos aportes, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, e registra que o parlamentar fez reiteradas cobranças pela liberação dos valores previstos para o financiamento da produção.
Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).
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A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.
Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
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Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.
Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
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Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
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Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
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Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.
