Política
Jornal da Band

PF lista ao menos 8 contatos de Flávio com Vorcaro; veja cronologia

O senador Flávio Bolsonaro é investigado há cerca de dois meses em inquérito que apura o papel dele no escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento

4 min

11/09/2026 20:17 • Atualizado há 12 dias

O senador Flávio Bolsonaro é investigado há cerca de dois meses em inquérito que apura o papel dele no escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos desdobramentos com documentos revelados nesta semana.

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Entre agosto e novembro de 2025, a Polícia Federal registrou encontros presenciais, ligações telefônicas e trocas de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, em investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse" com recursos movimentados no Brasil e nos Estados Unidos.

Relatório da Polícia Federal aponta que Flávio Bolsonaro não aparece apenas como citado em conversas de terceiros, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro na negociação de valores para o projeto cinematográfico.

  • 20 de agosto de 2025: primeiro encontro presencial entre Flávio e Vorcaro, registrado como marco inicial da relação envolvendo o financiamento do longa-metragem.
  • 8 de setembro de 2025: mensagem em que o senador cobra o empresário pelo atraso nos repasses ligados ao filme.
  • Setembro de 2025: cinco ligações telefônicas entre os dois, identificadas pela PF no mesmo mês.
  • 16 de novembro de 2025: véspera da prisão de Vorcaro, quando Flávio envia mensagem dizendo: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!".

Negociação de valores no exterior

Segundo a investigação, Flávio Bolsonaro teria negociado cerca de 24 milhões de dólares para o financiamento de "Dark Horse", parte deles por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos.

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Esse fundo, de acordo com o relatório, é administrado por um advogado ligado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Uma das linhas de apuração da PF é que parte desses recursos teria sido utilizada para bancar a permanência de um ex-deputado federal no estado do Texas, também nos Estados Unidos.

Suspeitas sobre triangulação de recursos

Além dos valores no exterior, a Polícia Federal mapeou o que descreve como uma triangulação envolvendo mais de 6 milhões de reais.

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O movimento de recursos envolveria empresas e entidades ligadas a Karina Gama, dona da produtora responsável por "Dark Horse".

De acordo com a investigação, esse modelo permitiria que dinheiro público destinado a contratos retornasse para os responsáveis pelas entidades, o que poderia caracterizar desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

Atuação de Eduardo Bolsonaro e reação dos citados

Um documento da Procuradoria-Geral da República indica que Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão e a remessa de recursos nos Estados Unidos voltados ao financiamento do filme.

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O parlamentar rebateu a acusação e afirmou que o procurador-geral Paulo Gonet está diretamente envolvido no escândalo, atribuindo-lhe responsabilidade.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que não tem nada a esconder e defende a retirada do sigilo de todo o inquérito que envolve o Banco Master.

Como nasceu o inquérito sobre o Banco Master

Em julho deste ano, a Polícia Federal pediu ao Supremo autorização para investigar o senador e apontou suspeitas de três crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. As suspeitas se concentram nas transferências feitas pelo empresário Daniel Vorcaro para viabilizar 'Dark Horse', originalmente batizado 'Capitão do Povo'. Mendonça deferiu o pedido e abriu caminho para a apuração formal.

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Segundo os documentos, o acordo de financiamento do filme previa o pagamento de 24 milhões de dólares, dos quais 12 milhões já foram repassados. Parte desses recursos teria circulado por estruturas no exterior, inclusive um fundo nos Estados Unidos, o que levantou dúvidas sobre a origem e o destino final do dinheiro.

Novidades reveladas em documentos recentes

Os papéis divulgados mais recentemente detalham pontos que não estavam claros nas primeiras informações sobre o caso.

  • O fundo Havengate, criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que não saiu do papel, ficou inativo por quatro anos e só voltou a ser usado quando começaram a entrar valores enviados por Daniel Vorcaro.
  • A investigação indica que parte dos 24 milhões de dólares negociados por Flávio Bolsonaro teria passado pelo Havengate, administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, e pode ter servido para bancar a permanência de um ex-deputado federal no Texas.
  • Mensagens apreendidas pelo Ministério Público sugerem que Eduardo Bolsonaro orientava a gestão e o envio dos recursos nos Estados Unidos e que ele e Flávio pretendiam marcar reunião com Vorcaro para tratar do financiamento do filme.
  • Flávio Bolsonaro aparece, de acordo com relatório da Polícia Federal, não apenas citado por terceiros, mas como interlocutor direto de Vorcaro na tentativa de viabilizar o dinheiro para 'Dark Horse'.
  • A PF mapeou o que descreve como triangulação em movimentações que somam mais de 6 milhões de reais envolvendo empresas e entidades ligadas à produtora Karina Gama, responsável pelo filme; ela foi alvo de mandado de busca e apreensão em operação realizada ontem.
  • Documento da Procuradoria-Geral da República atribui a Eduardo Bolsonaro a orientação desses repasses; ele rebate e afirma que o procurador-geral Paulo Gonet está diretamente envolvido no escândalo.
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