PF: Vorcaro foi avisado por "turma" do BC que Galípolo agiria contra Master
Relatório cita anotações e mensagens sobre pressão de policiais e procuradores para medidas contra banco investigado

O fim do sigilo do inquérito do caso Master no Supremo Tribunal Federal revelou que Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, registrou em 30 de outubro de 2025 ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central sobre possível atuação do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, contra a instituição, segundo a Polícia Federal.
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Decisão no STF abre documentos da investigação
O acesso ao conteúdo ocorreu após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do procedimento, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Com isso, vieram à tona relatórios da PF que detalham anotações pessoais e mensagens extraídas do celular de Vorcaro no âmbito da investigação.
De acordo com a apuração, em nota registrada às 13h13min29s daquele 30 de outubro, Vorcaro relata que viajaria para Abu Dhabi para se encontrar com um interlocutor, com quem pretendia tratar da situação do banco e das dificuldades que enfrentava.
Pressão sobre Galípolo e diretores, relata investigado
Na mesma anotação, reproduzida pela PF, Vorcaro afirma ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central de que “G” – provavelmente Gabriel Galípolo, presidente da instituição – e os demais diretores estariam novamente sob forte pressão para adotar alguma medida, em razão de cobranças da PF e do Ministério Público Federal.
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Segundo o relatório, ele escreve que autoridades policiais e procuradores estariam alegando que tomariam providências contra ele. Vorcaro descreve o cenário como de “pressão máxima” sobre a cúpula do Banco Central.

Mensagens citam Andrei e Paulo e temem “sacanagem”
Em mensagem atribuída a Vorcaro, também transcrita pela PF, ele detalha ao interlocutor a estratégia para reforçar contatos com a cúpula da PF e do MPF. Os investigadores apontam que ele se refere a “Andrei” e “Paulo” como provavelmente Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem”, diz o texto reproduzido no relatório. Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10). A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados. https://www.youtube.com/watch?v=T9UAtman_0Y Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos. Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados. Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário. Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado. Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados. Contabilidade paralela e influência em redes sociais O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira. As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas. Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro. https://www.youtube.com/watch?v=p5JwonYMXH8 Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados. As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval. Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses. Ramificações políticas e a investigação Dark Horse Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional. A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.
