Política

Tarcísio e Kassab negam relação com Vorcaro após suposto caso de propina

Doação de R$ 5 mi para campanha eleitoral do ex-presidente e do governador de São Paulo em 2022 teria origem ilícita

4 min

03/09/2026 19:09 • Atualizado há 20 dias

Tarcísio e Kassab negam relação com Vorcaro após suposto caso de propina

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, refutaram de forma veemente as alegações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria tentado associá-los a um suposto esquema de propina disfarçado de doações eleitorais em 2022.

Continua depois da publicidade

Ambos afirmaram, em nota, nesta quinta-feira (3), que nunca mantiveram qualquer tipo de contato, relação ou intermediação com o empresário.

Segundo reportagem do portal UOL, as declarações de Vorcaro faziam parte de uma proposta de delação premiada que foi rejeitada de forma definitiva pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por absoluta falta de ineditismo e ausência de provas.

Tarcísio de Freitas declarou que "nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado". O governador, candidato à reeleição, explicou que sua campanha de 2022 contou com mais de 600 doadores e foi integralmente conduzida dentro dos parâmetros e da estrita observância da legislação. A prestação de contas foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

Continua depois da publicidade

Tarcísio reforçou que não possui nenhum tipo de vínculo com o doador citado pela reportagem (o empresário Fabiano Zettel, que efetuou repasses oficiais) e que não tinha conhecimento prévio sobre condutas de terceiros alheias à sua campanha.

Além disso, a defesa do governo estadual esclareceu o funcionamento do sistema de consignações em folha de pagamento, que Vorcaro alegou ter sido mantido em troca de vantagens indevidas. O governo explicou que:

  • Credenciamento Público e Impessoal: A participação de empresas e instituições financeiras no sistema estadual de consignações ocorre por meio de credenciamento público. Esse modelo é impessoal e regulamentado há mais de dez anos pelo Decreto nº 60.435/2014. Atualmente, há mais de uma centena de instituições devidamente habilitadas para esse serviço no estado de São Paulo.
  • Gestão Anterior: No caso específico da PKL One Participações S.A., empresa gestora do cartão Credcesta, o credenciamento foi realizado em maio de 2022 — ou seja, na gestão estadual anterior à de Tarcísio de Freitas.
  • Sem Recursos Públicos: Esse credenciamento não representa um contrato comercial com o Estado e não envolve, sob nenhuma circunstância, repasse de dinheiro público. Trata-se de uma mera habilitação para que os servidores estaduais possam, por escolha própria e livre, selecionar com qual instituição desejam operar.
  • Suspensão das Operações: O governo estadual suspendeu as operações da PKL One Participações S.A. em 19 de fevereiro de 2026, após a liquidação extrajudicial da instituição. Adicionalmente, em dezembro de 2024, o governador Tarcísio já havia assinado o Decreto nº 69.126/2024, que ampliou a concorrência ao abrir o mercado de consignados para outras empresas, contrariando a tese de favorecimento exclusivo ao Credcesta.

Já Gilberto Kassab, candidato à vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), refutou as acusações, classificando a delação de Daniel Vorcaro como "um relato absolutamente fantasioso, o qual refuto com veemência".

Continua depois da publicidade

Kassab declarou de forma categórica que nunca conversou com Daniel Vorcaro, seja de forma presencial ou por telefone, e que não possui qualquer tipo de relação com ele. O secretário também afirmou que, embora conheça Augusto Lima e Thiago Botelho (apontados na delação como operadores), jamais tratou de doações financeiras ou de qualquer assunto relacionado ao cartão Credcesta com nenhum deles.

Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual. --Kassab

Acusações de Vorcaro foram rejeitadas

As manifestações de Tarcísio e Kassab ocorrem no contexto de uma proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, revelada pelo UOL. Investigado na Operação Compliance Zero, o ex-banqueiro alegou que o grupo controlador do cartão Credcesta teria negociado uma propina de 5% sobre os resultados líquidos em São Paulo para garantir a permanência da empresa no sistema de consignados do governo do estado.

Segundo a tese de Vorcaro, o suposto acordo envolveria um repasse formal de R$ 5 milhões nas eleições de 2022 (sendo R$ 2 milhões destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), operacionalizados via Fabiano Zettel), além de R$ 10 milhões que teriam sido entregues informalmente em espécie.

Continua depois da publicidade

Contudo, os órgãos de controle não deram credibilidade ao relato de Daniel Vorcaro. Todas as três versões da delação premiada enviadas pelo ex-banqueiro foram rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com os órgãos de investigação, as propostas foram descartadas porque não traziam qualquer elemento de ineditismo e não continham provas ou indícios factuais que sustentassem as graves acusações do delator. Vorcaro chegou a solicitar audiência direta no Supremo Tribunal Federal (STF) com o gabinete do ministro André Mendonça, mas a PGR barrou a tentativa e manteve a recusa ao acordo

Tarcísio e Kassab negam relação com Vorcaro após suposto caso de propina