Por que tantas inovações em saúde nunca chegam ao paciente?
O novo papel das Venture Builders na transformação do setor

Uma nova tecnologia pode levar anos para ser desenvolvida. Uma pesquisa científica pode consumir recursos, reunir equipes multidisciplinares e gerar descobertas com potencial para transformar a vida de milhares ou até milhões de pessoas. Ainda assim, entre a descoberta e o paciente existe uma distância que nem sempre é fácil de atravessar.
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É nesse espaço que muitas inovações acabam ficando pelo caminho.
O problema não necessariamente está na qualidade da pesquisa ou na capacidade dos profissionais envolvidos. Muitas vezes, falta uma estrutura capaz de transformar conhecimento científico e tecnologia em um negócio sustentável, com estratégia, governança, capital, propriedade intelectual, desenvolvimento de produto e capacidade de execução.
Para o executivo, empreendedor, conselheiro de empresas e Venture Builder Bruno Della Monica, essa é uma das questões centrais para o futuro da inovação em saúde. Com mais de 25 anos de experiência em estratégia, finanças, transformação de negócios, inovação e desenvolvimento de novos empreendimentos, ele passou boa parte da carreira atuando em grandes organizações dos setores de varejo, serviços financeiros e tecnologia para saúde.
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A experiência acumulada levou a uma mudança de perspectiva. Depois de mais de duas décadas em posições executivas, Bruno passou a concentrar sua atuação na criação e no desenvolvimento de empresas inovadoras, conectando estratégia, tecnologia, capital e execução. Hoje, é fundador e CEO da BeVenture, Venture Builder especializada na criação e escalabilidade de empresas de base tecnológica voltadas ao setor de saúde.
O desafio não termina quando a tecnologia é criada
Em setores como saúde, transformar uma descoberta em uma solução disponível para a população envolve uma cadeia complexa. Uma tecnologia pode ser promissora do ponto de vista científico, mas ainda precisar de um modelo de negócio, estratégia de comercialização, proteção intelectual, estrutura financeira, planejamento regulatório e parceiros capazes de levar a solução ao mercado.
É justamente nessa transição que, segundo Bruno, existe uma oportunidade para um novo modelo de construção de empresas.
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"A inovação não acontece quando uma boa ideia é criada. Ela acontece quando essa ideia consegue chegar ao mercado e gerar impacto real na vida das pessoas. Esse é o verdadeiro desafio que queremos resolver."
A lógica ajuda a explicar por que nem toda pesquisa de alto potencial se transforma em uma empresa ou em um produto disponível para o paciente. Ciência, empreendedorismo e investimento possuem competências diferentes, e conectá-las exige uma estrutura própria.
Na visão do executivo, pesquisadores dominam a ciência, empreendedores conhecem o mercado e investidores oferecem capital. O desafio está em reunir essas competências em torno de uma mesma estratégia, com capacidade de execução.
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De investidor a construtor de empresas
É nesse contexto que ganha espaço o conceito de Venture Builder.
Diferentemente de um modelo tradicional de investimento, no qual o capital é direcionado para empresas que já estão em operação ou para startups em determinados estágios de desenvolvimento, uma Venture Builder participa diretamente da construção do negócio.
No caso da BeVenture, a proposta envolve concepção, estruturação, desenvolvimento e escalabilidade de empresas voltadas aos desafios do setor de saúde. O modelo reúne pesquisadores, empreendedores, especialistas, investidores e parceiros estratégicos em torno do desenvolvimento de novos negócios.
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O currículo de Bruno ajuda a explicar por que essa abordagem está diretamente relacionada à sua trajetória. Antes de fundar a BeVenture, ele ocupou posições executivas em empresas como Funcional Health Tech, Magazine Luiza, Carrefour, BRF e Grupo Pão de Açúcar, participando de projetos de transformação organizacional, inovação, desenvolvimento de produtos, M&A e estruturação de novos negócios.
No currículo profissional, sua atuação mais recente na BeVenture é descrita justamente como a criação e estruturação de empresas de tecnologia para os ecossistemas de saúde humana e animal, incluindo desenho de modelos de negócio, estratégia de produto, estruturação financeira, planejamento regulatório, propriedade intelectual e comercialização.
A diferença está, portanto, em não olhar apenas para a tecnologia, mas para tudo aquilo que precisa acontecer para que ela se torne uma solução viável.
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O que existe entre a pesquisa e o paciente?
Imagine uma pesquisa capaz de identificar uma doença de maneira mais precoce. A descoberta pode ser relevante, mas isso não significa que exista automaticamente um produto pronto para ser utilizado.
É necessário entender como aquela tecnologia será desenvolvida, protegida, validada, comercializada e incorporada ao mercado. Também é preciso encontrar profissionais, parceiros, investidores e estruturas capazes de transformar o conhecimento em uma operação sustentável.
Um dos projetos da BeVenture segue justamente essa lógica. A empresa trabalha no desenvolvimento do Rosalind Test, iniciativa de biotecnologia voltada à detecção precoce do câncer de mama por meio de uma plataforma de diagnóstico baseada em sangue. O trabalho envolve estratégia de negócios, planejamento de comercialização, desenvolvimento de propriedade intelectual e parcerias internacionais.
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A empresa também possui iniciativas relacionadas a plataformas digitais de saúde, inteligência para cadeias farmacêuticas, financiamento integrado à saúde, marketplaces especializados, saúde animal e integração dos diferentes participantes do ecossistema.
São áreas diferentes, mas que compartilham um mesmo desafio: transformar uma oportunidade identificada em uma solução capaz de operar em escala.
A importância da propriedade intelectual
Outro ponto fundamental nessa jornada é a propriedade intelectual.
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Uma pesquisa pode apresentar uma tecnologia inovadora, mas, sem uma estratégia adequada de proteção e licenciamento, parte do potencial econômico daquela descoberta pode não ser aproveitada.
Por isso, a estruturação de propriedade intelectual e de modelos de licenciamento tecnológico também faz parte da atuação da BeVenture. A intenção é permitir que pesquisas de alto potencial possam evoluir para negócios escaláveis e sustentáveis.
Na prática, isso significa pensar desde cedo sobre como aquela tecnologia poderá ser protegida, desenvolvida e posteriormente levada ao mercado.
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É uma mudança importante de perspectiva: a pesquisa deixa de ser observada apenas como um resultado acadêmico e passa a ser analisada também pelo seu potencial de gerar uma solução concreta.
O Brasil tem ciência. Falta conectar as pontas
Para Bruno, o Brasil possui características que poderiam colocá-lo em uma posição relevante no cenário de inovação em saúde.
O país reúne pesquisadores qualificados, universidades, empreendedores e um mercado de grande escala. O desafio, segundo ele, está em criar conexões mais estruturadas entre esses diferentes agentes.
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Essa conexão passa por uma combinação de conhecimento científico, capital, estratégia empresarial e capacidade de execução.
Não se trata, portanto, de substituir universidades, pesquisadores, investidores ou empresas. A proposta é criar uma estrutura capaz de aproximar essas partes e fazer com que elas trabalhem de maneira coordenada na construção de novos negócios.
O próprio modelo da BeVenture busca essa integração por meio de parcerias com pesquisadores nacionais e internacionais, profissionais da área médica, especialistas em biotecnologia, empresas privadas e investidores estratégicos.
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Uma nova etapa para a inovação em saúde
A discussão sobre inovação costuma começar pela tecnologia. Qual é a descoberta? Qual é o novo produto? Qual problema será resolvido?
Mas talvez exista uma pergunta tão importante quanto essas: quem vai construir a empresa capaz de fazer essa solução chegar às pessoas?
É nessa lacuna que o modelo das Venture Builders pode ganhar relevância.
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Para Bruno Della Monica, o desafio de sua atuação atual é diferente daquele que enfrentava quando estava à frente de grandes organizações. Depois de anos participando da transformação de empresas estabelecidas, o foco agora está na construção de negócios capazes de transformar ciência em soluções concretas.
A inovação em saúde, nesse cenário, deixa de ser apenas uma questão de descobrir algo novo. Ela passa a depender da capacidade de construir uma ponte entre a descoberta e o mercado.
E talvez seja justamente nessa ponte que esteja uma das maiores oportunidades para a próxima geração de empresas de tecnologia em saúde: transformar conhecimento em negócio, negócio em solução e solução em impacto real para o paciente.
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Autor: Vinícius Alonso
